outubro 01, 2005
Noite Escura na rota dos Óscares
O ICAM escolheu Noite Escura para representar Portugal na próxima edição dos Óscares.
O filme de João Canijo foi o escolhido de uma lista onde se encontravam filmes como O Quinto Império ou Alice, e agora fará parte de uma pré-selecção com filmes de todo o Mundo. Caberá à Academia de Hollywood escolher os cinco finalistas aquando da divulgação dos nomeados aos óscares. O filme com Beatriz Batarda, Fernando Luis e Rita Blanco tem encontrado ecos positivos na critica europeia e espera tornar-se o primeiro filme português a ser seleccionado para disputar o prémio relativo ao melhor filme de lingua estrangeira da Academia de Hollywood.
Na semana passada o Brasil tinha também anunciado que Dois Filhos de Francisco seria a sua aposta. A cerimónia dos óscares da Academia realizar-se-á a 5 de Março de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:43 PM | Comentários (7)
setembro 20, 2005
Oscarwatching 2005 - Fim das previsões de Setembro
Bem, quinze dias depois, as primeiras previsões do Hollywood sobre a temporada de prémios que se avizinha chegam ao fim. O mais natural é que na próxima rodada, em Novembro, tudo seja diferente. É a lei de Hollywood onde nada é o que parece e onde tudo parece ter o seu momento. Vivemos, neste mês de Setembro, dias de glória para filmes, realizadores e actores, mas tudo pode mudar, e até ao dia das nomeações, as dúvidas irão continuar na mente de todos.
Quem serão os eleitos? Uma dúvida que tentamos desvendar, agora, como sempre, recorrendo ao máximo de informação possivel que nos chega dos Estados Unidos, bem como da pesquisa e do vasto conhecimento sobre a história das estatuetas douradas.
Segue-se a lista do número de nomeações por filme, nestas previsões, e marcamos encontro para o dia 15 de Novembro, data da segunda e penúltima ronda de antevisão dos nomeados aos óscares da Academia.
Nomeações
11 - Memoirs of a Gueisha
9 - The New World
7 - Jarhead, Brokeback Mountain
5 - Good Night and Good Luck. , Walk the Line, Munich
4 - Mrs Henderson´s Presents
3 - King Kong, All the Kings Men
2 - Capote, The Constant Gardener, Star Wars III, Cinderella Man, Sin City
1 - Charlie and the Chocolate Factory, War of the Worlds, The Three Burrials of Melquiades Estrada, North Country, Elizabethtown, In Her Shoes, The Family Stone, Transamerica

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:05 PM | Comentários (2)
Oscarwatching2005 - Previsões - Filme
O prémio mais cobiçado por todos os cineastas (mesmo que muitos o neguem). É a coroação máxima de um filme, de uma carreira, de um ano recheado de candidatos onde só um poderá vencer. Suceder a uma obra-prima é sempre dificil, por isso a pressão sobre quem irá suceder a Million Dollar Baby será imensa!





Munich parte como favorito. Isto apesar do filme ainda estar em rodagem, de ninguém ter visto imagens ou trechos da história. Então porquê tanto favoritismo? A razão é simples. Steven Spielberg. O cineasta tem tudo preparado para repetir o sucesso de Schindler´s List. O tema volta a mexer com a comunidade judaica (maioria na Academia), mete ao barulho a polémica do terrorismo, estreia no final de ano e tem uma máquina de publicidade a trabalhar para trazer o máximo de estatuetas para casa. O filme não tem um grande elenco e a história nem tem a mesma profundidade que o campeão de 93, mas para já, vai naturalmente á frente.
Jarhead também tem todos os condimentos para estar nos finalistas. Um filme de guerra que é mais sobre o dia a dia de um regimento norte-americano na Guerra do Golfo do que propriamente sobre a guerra, com um realizador talentoso, o apoio dos estúdios e um excelente elenco. Quem já o viu diz que é material para óscar em estado puro e por isso, é hoje visto como um favorito natural.
Memoirs of a Gueisha é um drama em terras orientais, passado nas vésperas do irromper da 2º Guerra Mundial num Japão onde as gueishas ainda eram uma realidade. Rob Marshall volta á carga depois da vitória do seu Chicago em 2002, mas um elenco exclusivamente asiático pode não cair no goto da Academia. No entanto a narrativa e o trabalho de Marshall e da sua equipa pode chegar para a nomeação. E a Columbia apoia o filme a 100%.
Good Night and Good Luck. é sempre uma escolha arriscada, mas a verdade é que o filme pintado em tons de documentário a preto e branco que Clooney construiu com devoção tem estado em alta e é a grande aposta da Warner para este. O filme tanto pode funcionar como parecer demasiado intelectual e militante para a Academia. Mas promete ser um dos melhores trabalhos do ano!
Depois de vencer o Leão de Ouro, de ter conquistado a critica e de ter colocado de lado o tabu homossexual, pelo menos para já (a Academia sabe ser muito conservadora), Brokeback Mountain afirma-se como um dos grandes filmes do ano. Com um elenco notável e um trabalho técnico e de realização muito bom, o filme naturalmente encontra-se na linha da frente. Mas o problema da relação homossexual que orienta o filme pode ser demais para a Academia, que pode, pura e simplesmente, reservar-lhe o mesmo tratamento que teve The Passion of the Christ. Mas até Dezembro, se exceptuarmos esse pequeno grande detalhe, é um claro favorito.
OUTROS CANDIDATOS
Walk the Line - Se estas previsões fossem feitas daqui a duas semanas, seria dificil não colocar Walk the Line no top5. O filme tem recebido grandes criticas, especialmente centradas no desempenho da sua dupla de actores, e o sucesso de bilheteira é o que falta para confirmar todo o potencial que a história da vida de Johnny Cash parece ter. E na hora H, o filme pode mesmo transformar-se num favorito.
The New World - Outro filme que pode tornar-se um sério candidato a chegar aos cinco eleitos é o trabalho que Terrence Malick fez sobre o choque de culturas entre nativos e colonos, como pano de fundo da conhecida história de amor da india Pocahontas e do oficial John Smith. Um filme que tem tudo para resultar!
Mrs Henderson´s Presents - É a aposta do irmãos Weinstein, o que sempre algo para levar em linha de conta. O filme de Frears acenta no notável trabalho dos seus actores, e com uma história simples e a campanha aguerrida dos seus produtores, pode tornar-se num osso duro de roer.
Cinderella Man - É dificil desistir deste filme quando ele tem tudo o que é preciso para ser nomeado. Excelente desempenhos, realização e trabalho técnico. E óptimas criticas. O que falta? O apoio do público. O filme falhou no box-office e pode ter comprometido as suas aspirações. No entanto a Universal vai lançar agora uma edição em dvd e o filme vai voltar aos cinemas. Pode ser que isso ajude a inverter uma tendência claramente injusta.
The Constant Gardener - A critica apaixonou-se pelo filme de Fernando Meirelles e rendeu-se ao desempenho de Ralph Fiennes. Contra todas as expectativas, o público também gostou e de repente este pequeno filme torna-se candidato. Mas talvez seja demasiado pequeno para os padrões da Academia. Porque se não for, é um candidato mais que natural.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:00 PM | Comentários (2)
setembro 19, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Realizador
É sempre dificil suceder-se ao melhor realizador vivo, mas alguém terá de o fazer. Spielberg ataca o terceiro óscar mas não está sozinho. Há uma lista infindável de potenciais vencedores. É só escolher.





Steven Spielberg está ansioso por igualar Frank Capra na lista dos realizadores com três óscares da Academia. A produção de Munich foi feita a pensar exclusivamente na próxima temporada de prémios e a estreia tardia do filme confirma essa ideia. Que pode ter o seu lado positivo e negativo. Quanto a Spielberg, que é um dos maiores realizadores de sempre sem dúvida alguma, um terceiro óscar é possivel mas não é seguramente uma probabilidade tão forte quanto se pensa. Nestes casos a Academia pode achar que há outros nomes na lista, em espera, e mesmo premiando o filme, Spielberg pode ver acontecer o oposto do que sucedeu em 1998 quando venceu mas Saving Private Ryan não!
Sam Mendes é um dos meninos dourados de Hollywood e o seu sucesso em American Beauty confirmou-o como um dos mais talentosos realizadores no activo. Mas desde aí houve Road to Perdition, um tropeção que o cineasta procura compensar com Jarhead. O filme é completamente oscarizável e com ele, também Mendes. Mas um segundo óscar em tão pouco tempo também é uma aposta arriscada.
Depois de ter falhado a primeira nomeação com o aclamado Sense and Sensibility, e de ter sido derrotado por Soderbergh, no ano da sua estreia entre os nomeados com Crounching Tigger, Hidden Dragon, esta pode ser a terceira tentativa de Ang Lee para conquistar um óscar. Não será fácil já que, apesar de todo o louvor da critica ao seu trabalho em Brokeback Mountain, o filme parece ter demasiados contras para a Academia. Mas mesmo que o filme não seja nomeado, há grandes possibilidades do seu nome ser um dos cinco finalistas.
Os actores-realizadores são um fenómeno de sucesso em Hollywood, de Warren Beatty a Robert Redford, de Clint Eastwood a Kevin Costner. Este ano há dois nomes nessa categoria, mas um deles pode levar vantagem. George Clooney assina em Good Night and Good Luck. uma carta de amor ao pai, ao jornalismo, e á integridade humana. O filme tem tido grande aceitação, esteve por pouco para triunfar em Veneza, e é a grande aposta da Warner Bros este ano. Clooney é talentoso (quem viu Confessions of a Dangerous Mind sabe do que falo), é popular e um fortissimo candidato.
Habitualmente há um realizador, cujo filme não está entre o top5, que acaba nomeado. Terrence Malick pode ser esse homem se The New World não conseguir uma nomeação para Melhor Filme (nomeações técnicas estão praticamente asseguradas). O texano já viu os seus dois ultimos filmes - Days of Heaven e The Thin Red Line - nomeados, mas só conquistou uma nomeação pelo último. Pelo seu prestigio e talento, seria normal vê-lo entre os finalistas.
OUTROS CANDIDATOS
Rob Marshall (Memoirs of a Gueisha) - Perdeu um óscar que parecia certo em 2002 e não vai querer que o mesmo se repita. E a Academia pode ser sensivel a isso. Dizem-se maravilhas do seu trabalho em Memoirs of a Gueisha, mas no seu caso, será a critica e o sucesso do filme a ditarem o seu futuro.
James Mangold (Walk the Line) - A cada dia que passa fala-se cada vez mais - e melhor - de Walk the Line. E muito se deverá a este homem que tem em Taylor Hackford um exemplo que quererá certamente seguir.
Tommy Lee Jones (The Three Burrials of Melquiades Estrada) - Se a fórmula de actor-realizador falhar com Clooney, há sempre Tommy Lee Jones. O seu filme foi aclamado em Cannes e tem agora um sólido apoio da Sony Pictures. Por isso, pode bem ser uma surpresa de final de ano.
Stephen Frears (Mrs Henderson´s Presents) - Mais um realizador respeitado em Hollywood que tem aqui um trabalho que lhe pode garantir uma nomeação. No entanto, tal como Mangold, o sucesso de Mrs Henderson´s Presents será decisivo para a sua candidatura.
Fernando Meirelles (The Constant Gardener) - A sua nomeação pelo fabuloso Cidade de Deus foi surpresa. Uma segunda por The Constant Gardener seria uma confirmação. Do talento e olho deste brasileiro que descobriu um Quénia negro e transformou-o no cenário de uma história espantosa. O sucesso nas bilheteiras e na critica podem vir a ajudar na hora H.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:46 PM | Comentários (6)
setembro 18, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Actor
Depois de Jamie Foxx ter saído da última edição dos óscares com a estatueta dourada pelo desempenho de um verdadeiro mito norte-americano, Ray Charles, este ano também temos um sem número de actores a viverem personagens reais. E um deles até canta!





Joaquin Phoenix já foi nomeado ao óscar de melhor actor secundário. Este ano é mais que certo que vai ser nomeado pela sua encarnação de Johnny Cash em Walk the Line. Num papel dramático, que inclui momentos em que Phoenix realmente canta, a vitória já parece certa para muitos. Pode não ser tão fácil assim, mas será dificil para a caminhada de Phoenix.
Outro nome que parece ser consensual é o de Philiph Seymour-Hoffman. Actor indie de grande sucesso, em Capote parece conseguir um passaporte para a cerimónia ao viver o jornalista e escritor Truman Capote numa viagem por um universo sórdido e ficticio que também contribui para desconstruir a sua própria personagem. É um dos trabalhos mais interessantes do ano.
David Strathairn é outro nome vindo de um universo indie que tem conquistado aplausos, sendo mesmo o detentor da Copa Volpi do último Festival de Veneza. Ao viver o jornalista Edward Murrow num duelo com o polémico senador McCarthy no drama Good Night and Good Luck. de George Clooney, as hipóteses de ser nomeado são fortissimas, mas há sempre o perigo de o filme não convencer a Academia. E aí, as coisas podem complicar-se!
Ralph Fiennes tem sido dos actores mais vangloriados até ao momento. E com razão. O britânico é um dos maiores actores do mundo e há muito que lhe é devido um óscar. A critica e o público apaixonaram-se pelo seu papel em The Constant Gardener e por isso, uma nomeação parece mais que justa. Mas cuidado. No ano passado apenas um actor foi nomeado sem que o seu filme tivesse sido igualmente nomeado. E com Munich e Jarhead praticamente confirmados, pode haver tendência para o preterir perante Eric Bana ou Jake Gyllenhal.
A critica não poupa elogios, Veneze caiu a seus pés e Toronto seguiu-lhe o exemplo. Se os tabus não o impedirem, então é natural que Heath Ledger esteja nos cinco nomeados graças ao seu papel em Brokeback Mountain. No entanto, tal como Fiennes e Strathairn, se o filme ficar de fora, as suas hipóteses também diminuem!
OUTROS CANDIDATOS
Tommy Lee Jones (The Three Burrials of Melquiades Estrada) - Se Strathairn venceu Veneza, Tommy Lee Jones venceu em Cannes. Seguindo o exemplo do amigo Clint Eastwood, o actor é dirigido por ele mesmo num filme espantoso que fez furor em Cannes e Toronto. Agora com a Sony como distribuidor e com estreia no final do ano, as hipóteses do actor aumentam muitissimo, sendo claramente um favorito.
Eric Bana (Munich) - Provou em Troy ser um excelente actor. Spielberg fez dele o cabeça de cartaz de Munich e se o filme tiver o sucesso que se prevê o seu nome torna-se incontornável. Mas isso só não chega. É quem Liam Neeson ficou de fora, mesmo apesar do filme ser Schindler´s List. E a concorrência é fortissima.
Jake Gyllenhall (Jarhead) - Tal como Bana, se Jarhead conseguir o impacto e as nomeações previstas, então o seu nome torna-se automaticamente num forte candidato. Mas é dificil repetir o feito de Jamie Foxx, e uma nomeação como secundário em Brokeback Mountain parece mais provável que uma escolha como principal em Jarhead.
Cillian Murphy (Breakfast on Pluto) - Um dos actores ingleses em clara ascensão. O seu papel como travesti no filme de Neil Jordan, Breakfast in Pluto tem convencido toda a gente, e se não fosse pela concorrência fortissima e pelo facto deste ser, apesar de tudo, um filme pequeno, as suas hipóteses seriam bem maiores.
George Clooney (Syriana) - A ideia de que 2005 é o ano de George Clooney já começou a correr. Não só pelo seu papel como produtor/realizador/escritor/interprete de Good Night and Good Luck., mas também pela sua notável transformação fisica em Syriana. Clooney poderia ser o primeiro nome a receber cinco nomeações na mesma edição. Mas isso é improvável e o sucesso de Good Night and Good Luck. pode matar as suas aspirações em Syriana, e vice-versa.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:11 PM | Comentários (1)
setembro 17, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Actriz
Curiosamente, pela primeira vez em muito tempo é no universo da comédia que estão as mais fortes candidatas a suceder a Hilary Swank. No entanto ainda é cedo para perceber quem é o ponei que vai à frente da corrida. Até porque este tanto pode ser um ano de estreantes, como podem confirmar a dobradinha de um talento em ascensão, vindo directamente da África do Sul.





Charlize Theron surpreendeu meio mundo ao despojar-se da sua beleza para viver a serial-killer Aillen Wournos no filme Monster. A transformação fisica ajudou, e o óscar foi pela primeira vez para a África do Sul. E agora pode ir outra vez. Num novo papel, em North Country, o tipico (e mais premiado modelo dos últimos anos) white trash girl, Charlize vai ser a primeira mulher a vencer um processo de abuso sexual no trabalho. A beleza agora está lá, o talento também, e por isso, as hipóteses de nomeação são esmagadoras.
Reese Whiterspoon é provavelmente o nome mais consensual até ao momento, entre criticos e público. Inicialmente pensava-se que o seu papel como June Cash no filme Walk the Line era secudário, mas a sua performance, que inclui cantorias, é avassalador ao lado de um também favorito Joaquin Phoenix. A nomeação por aqui também parece ser consensual e óbvia, e o globo de ouro de comédia pode ser o primeiro passo rumo à glória.
A veterania é um posto, mas o talento não tem idades, deve pensar Judi Dench que depois de um óscar algo polémico em Shakespeare in Love, ataca agora o prémio principal com o seu desempenho em Mrs Henderson´s Presents. Para os amantes de óscares a combinação parece fatal: actriz inglesa, veterana, já vencedora de um óscar de suporte, conhecida mundialmente...É dificil não ver Judi Dench como uma das favoritas.
Depois do duelo Hilary Swank-Annette Benning ter marcado os últimos anos, parece desenhar-se um novo confronto entre actrizes: Charlize Theron-Diane Keaton. A sul-africana venceu a favorita sentimental em 2003 e este ano pode voltar a faze-lo. Ou não! É essa a esperança da veterana e popular actriz que em The Family Stone volta a mostrar porque é uma das maiores actrizes da actualidade. E o segundo óscar não lhe ficava nada mal.
A quinta vaga é sempre uma caixinha de surpresas, especialmente num ano tão equilibrado como este. Quem será a nova Keisha-Castle Hughes ou Catalina Moreno? Dificil de prever. A critica no entanto já escolheu a sua favorita. Vinda do popular universo das Desperate Housewives, Felicity Huffman traz um desempenho convincente e memorável como um transexual em Transamerica. Se o tema não for demasiado chocante, esta é uma fortissima candidata a arrecadar alguns prémios, e assim, conseguir uma vaga das cinco disponiveis.
OUTRAS CANDIDATAS
Zhang Zyhi (Memoirs of a Gueisha) - É um facto, se o filme de Rob Marshall (recentemente escolhido por Tom O´Neil - o maior especialista em óscares do mundo - como um dos cinco favoritos à vitória) for realmente convincente, e se arrecadar um sem número de nomeações, então o mais natural é que a sua diva esteja entre as nomeadas. Mas como ainda ninguém viu o filme, o mistério mantem-se.
Joan Allen (The Upside of Anger) - Muitos podem ter-se esquecido dela, mas Allen continua na mente de muitos votantes. Não só pelo seu desempenho memorável em The Upside of Anger, mas por ser também uma das grandes actrizes ainda sem uma estatueta dourada. Os seus grandes problemas são mesmo a concorrência e o facto do filme ter saído muito (demasiado) cedo.
Keira Knightley (Pride and Prejudice) - Anda aí um buzz estranho à volta de Keira Knightley. Dizem que a menina bonita do cinema inglês consegue convencer tudo e todos nesta versão do livro de Jane Austen. Será que Knightley pode surpreender ou será tudo um mal entendido? Fica a dúvida.
Gwyneth Paltrow (Proof) - Outra vencedora de quem se fala que vai tentar a dobradinha é a senhora Chris Martin. No seu novo filme Proof (que esteve para ser lançado no ano passado), Gwyneth Paltrow convence critica e mesmo os mais cépticos que chegaram a dizer que ela era mesmo a pior vencedora de sempre de um óscar. Não é e este ano quer prová-lo!
Rachel Weisz (The Constant Gardener)- Imaginemos que The Constant Gardener realmente consegue superar tudo e todos e chegar em alta ás nomeações. O mais natural seria encontrarem espaço para o duo principal do filme. E assim sendo, Rachel Weisz, de quem se diz maravilhas, torna-se uma seria candidata. Muito séria mesmo!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:30 PM | Comentários (1)
setembro 16, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Actor Secundário
E depois da complexa lista de candidatas a suceder a Cate Blanchett, perfilam-se desde já os sucessores a Morgan Freeman. E também aqui há uma lista infindavel de candidatos. E mais uma vez, será o impacto dos filmes a decidir no final de contas, quem segue em frente e quem fica para trás.





Paul Giamatti é um dos maiores actores da actualidade, e disso poucos parecem ter dúvidas. Poucos, se exceptuar-mos os membros da Academia que há dois anos para cá se recusam a render-se ao seu talento. Este ano pode seguir o mesmo caminho, mas a esperança é que a primeira nomeação do actor aconteça mesmo pelo seu desempenho inesquecivel em Cinderella Man. O filme não teve muito sucesso é certo, mas esta performance merece uma estatueta dourada.
Geoffrey Rush é o oposto de Giamatti. A Academia parece adorar tudo o que o actor australiano faz, tendo-o já galardoado com um óscar e mais uma nomeação. Agora o actor entra no filme de Spielberg, Munich, e se o sucesso for o mesmo de Schindlers List, a nomeação pode acontecer. O principal problema, para além do sucesso do filme estar envolto em mistério, é a concorrência interna com Daniel Craig.
Outro talento em bruto que há vários anos para cá tem encantado tudo e todos com o seu talento, mas que acaba sempre esquecido pela Academia, é Peter Sarsgaard. Depois de Kinsey, Boy´s Dont Cry e Shattered Glass, o seu papel em Jarhead assume-se como a quarta tentativa do actor ser nomeado. Mas desta vez, face ao sucesso previsivel do filme, dificil será a nomeação não acontecer. A não ser que Chris Cooper e Jamie Foxx, os outros secundários do filme, atrapalhem a esperada nomeação.
Bob Hoskins é outro nome bastante popular entre a Academia, apesar de não ter sido ainda galardoado, mesmo no ano de Mona Lisa que lhe valeu quase todos os prémios, exceptuando o óscar. Este ano ele surge ao lado de Judi Dench em Mrs Henderson´s Presents e pode muito bom voltar à ribalta, se o filme for bem sucedido e se os irmãos Weinstein não tiverem perdido o toque de Midas que transforma todos os seus candidatos em nomeados certos.
A polémica do filme, e os votos divididos com os do seu papel principal em Jarhead são os grandes senãos da candidatura de Jake Gyllenhall pelo seu papel em Brokeback Mountain. Em principio a nomeação parece certa, mas é dificil prever se o conservadorismo dos votantes pode influenciar a decisão final.
OUTROS CANDIDATOS
Ken Watanabe (Memoirs of a Guisha) - O actor japonês já foi nomeado em Last Samurai e não surpreenderia ninguém uma segunda nomeação, se o filme de Rob Marshall tiver o sucesso que a Columbia tem prometido.
Ed Harris (A History of Violence) - É mais um daqueles desempenhos espantosos que só Ed Harris é capaz de conseguir. Juntando isso ás várias nomeações que já tem (o que faz acreditar que o óscar deve chegar, mais tarde ou mais cedo), e temos aqui um provável candidato à nomeação.
George Clooney (Good Night and Good Luck.) - Seria muito improvável uma quadrupla nomeação para quem quer que seja, mas George Clooney pode estar muito bem à beira de conseguir esse feito. Mas para isso tem de ser nomeado, e se nas restantes categorias onde está envolvido (argumento, realização, filme) isso parece natural, já aqui é preciso contar com a forte concorrência que o mais recente "autor" do cinema norte-americano vai encontrar.
Anthony Hopkins (Proof) - Esteve na primeira lista do Hollywood no ano transacto mas o seu desempenho em Alexander não esteve à sua altura. Este ano, quer com Proof quer com All the Kings Men, podemos assistir ao regresso de um verdadeiro gigante da arte de representação. E uma nomeação nunca é improvável.
Matt Dillon (Crash) - Falou-se muito, na altura da estreia, do papel de Dillon em Crash. No entanto todo o elenco está ao mais alto nivel o que pode comprometer a ambição de um actor apenas. Só que Dillon é um wonderboy de Hollywood que se perdeu e agora parece querer reencontrar-se. E a Academia adora essas histórias!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:10 PM | Comentários (7)
setembro 15, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Actriz Secundária
Chegamos então ás categorias mais populares e mais amadas pelo público, as categorias de interpretação. E o primeiro nome a sair do envelope é o da actriz secundária, e como as senhoras estão sempre em primeiro lugar, começamos por aí. E que luta que se antevê para 2005, não só entre várias rivais de filmes diferentes, como várias actrizes que disputam contra colegas do próprio filme. Há, pelo menos, três casos desses: Brokeback Mountain, Memoirs of a Gueisha e In Her Shoes. Mas já lá vamos. Para já ficam as cinco candidatas principais.





Shirley McLaine é provavelmente uma das maiores actrizes de sempre da história do cinema norte-americano. Já nomeado ao óscar mais de seis vezes, conquistou-o apenas numa ocasião, em Terms of Endearment. Este ano, como mãe de Cameron Diaz em In Her Shoes, a veterana actriz assume-se como uma das grandes favoritas do ano. O principal senão será a competição interna com Tony Collette, que também parece ter conquistado a critica com o seu desempenho.
Outra veterana é também Susan Sarandon. A actriz, que tem estado afastada dos grandes momentos há alguns anos atrás, está agora em destaque pelos eu desempenho mordaz em Elizabethtown, filme de Cameron Crowe. A performance é digna de elogios mas o principal problema pode revelar-se o suceso que o filme terá (ou não) no final do ano.
Se Memoirs of a Gueisha tiver o impacto previsto, então a nomeação da actriz Michelle Yeoh é mais do que provável. A veterano actriz chinesa interpreta a mentora da personagem principal do filme de Rob Marshall, interpretada por Zhang Zyhi, e tem-se destacado face à concorrência interna, ou o mesmo será dizer, face a Gong Li, outra eventual candidata.
Catherine Keener vem directamente do universo de Truman Capote para conquistar tudo e todos. A actriz que já foi vista em Being John Malkovich vive a esposa do polémico e turbulento escritor, interpretado magistralmente por Philiph Seymour-Hoffman, e o impacto do filme para já tem levado a quer o seu nome seja um dos mais mencionados do ano até ao momento. Resta saber se o filme manterá este apoio até Dezembro, ou se será um "one man show" de Hoffman.
A ultima vaga costuma habitualmente surpreender e este ano há várias candidatas a esse posto. Talvez a Academia se renda à naturalidade e sentido de representação de Q´Orianka Kilcher, a jovem que Terence Malick descobriu para viver a personagem Pocahontas no filme The New World. Mas o grande senão é este ser um filme mais artistico que interpretativo, o que poderá comprometer seriamente as suas aspirações, abrindo as portas a nomes como Maria Bello ou mesmo Scarlett Johansson.
OUTRAS CANDIDATAS
Maria Bello (A History of Violence) - Desde o festival de Cannes que se fala na profundidade e no notável desempenho desta jovem actriz no mais recente trabalho de Cronenberg. No entanto, a sua nomeação estará sempre ligada ao sucesso do filme.
Scarlett Johansson (Match Point) - Apesar de já ter em mãos uma serie de notáveis desempenhos, especialmente nos dois últimos anos, a Academia parece alérgica ao nome de Scarlett Johansson. Em Match Point, o drama de Woody Allen, há uma boa hipótese de reconciliação. E Allen é conhecido por "dar" óscares às actrizes que trabalham consigo. Que o digam Diane Keaton, Dianne Wiest e Mira Sorvino.
Michelle Williams/Anne Hathaway (Brokeback Mountain) - É dificil prever como é que a Academia vai reagir ao mais recente campeão de Veneza. A polémica tanto pode destruir as pretensões do filme (vide The Passion of Christ), como o apoio da critica pode leva-lo a sonhar bem alto. Presas a esse destino estão estas duas jovens promessas do cinema norte-americano, que vivem aqui as companheiras, reais mas não sentimentais, da dupla de cowboys apaixonados.
Frances McDormand (North County) - Já galardoada com um óscar da Academia, a actriz Frances McDormand tem-se especializado em papeis de suporte nos últimos anos. Em North County ela acompanha Charlize Theron na sua luta contra o assédio sexual de que a jovem foi vitima. Uma doença misteriosa e algumas lágrimas à mistura são sempre armas que conquistam a Academia.
Meryl Streep (Prime) - A rainha das nomeações volta à carga este ano. Depois de em Manchurian Candidate ter tido um dos melhores desempenhos do ano transacto, falhando no entanto a nomeação, este ano é em Prime, filme com Uma Thurman em destaque, que a actriz se apresenta na máxima força. Streep pode nem ser favorita, mas o seu nome é sempre de menção obrigatória.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:38 PM | Comentários (3)
setembro 14, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Argumento Adaptado





Se a categoria de melhor argumento adaptado é habitualmente a mais equilibrada e competitiva, este ano parece fugir à regra, já que há muitos candidatos para apenas duas vagas. E deixar um filme de fora é arriscar o erro claramente. Mas como só cinco podem ser eleitos, as nossas primeiras apostas jogam no seguro.
Jarhead é a adaptação de um livro de grande sucesso sobre a vida de uma companhia norte-americana na 1º Guerra do Golfo. O argumento de William Broyles Jnr já foi aplaudido pelos poucos que viram o filme, e resta saber agora se o filme terá o impacto que muitos prevêm.
Brokeback Mountain é talvez o argumento mais poético do ano, uma verdadeira história de amor universal que já conquistou Veneza e que se prepara para partir ao ataque em todas as direcções. Só o tabu gay de Hollywood pode impedir que Larry McMurty e Diana Ossana consigam a nomeação.
The Constant Gardener já foi apelidada como uma das melhores adaptações de um livro ao cinema. Não por ser uma adaptação literal, mas por manter por completo o espirito do autor dentro de um registo que tem levado a que o filme seja já considerado como um dos melhores do ano. John Le Carré acompanhou as filmagens e está deliciada com o trabalho de Jeffrey Caine. Resta saber se não é o único.
Dan Futterman trabalhou afincadamente no argumento de Capote e pode agora ver os seus esforços recompensados. Afinal o filme tem conquistado a critica que já teve a possibilidade de o ver, e o guião que tem possibilitado um desempenho memorável de Philiph Seymour-Hoffman, dificilmente será esquecido na hora H.
Akiva Goldsmith já teve em mãos o argumento de Cinderella Men este ano, mas a conseguir uma nomeação, é provavél que ela surja pelas mãos de Memoirs of a Gueisha. Apesar de muitos pensarem já que este drama de Rob Marshall pode ser o flop do ano, o trabalho de Goldsmith tem tido um acolhimento positivo, e como este será certamente um dos filmes com mais nomeações (se não falhar em toda a linha como aconteceu com Alexander no ano passado), esta também deve estar incluida no conjunto final.
Mas se a competição é aguerrida na categoria de argumento original, aqui, é gigantesca. Caso um destes filmes falhe há imensos candidatos ao seu lugar. Os mais importantes de destacar são All the King´s Men, A History of Violence, Breakfast on Pluto, North COunty, Bee Season, Shopgirl, Ask the Dust, Proof, Rent, In Her Shoes, Syriana, Everything is Illuminated, The Producers, Separate Lies ou Pride and Prejudice. Confusos? Todos estão!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:00 PM | Comentários (2)
setembro 13, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Argumento Original





A categoria onde é reconhecido o trabalho mais original e vanguardista entre os argumentistas, tem este ano um enorme leque de escolhas, todas elas prontas a sucederem a Charlie Kauffman.
Munich, o filme de Steven Spielberg que anda nas bocas do mundo apesar de nada tem ainda sido revelado sobre a história, é o mais forte candidato. O argumento, que tem sido criticado pelo único sobrevivente dos atentados terroristas de 1972 em Munique, é da autoria de Tony Kuschner, tem todos os ingredientes para triunfar. Todos menos um. A irreverência que tem marcado os últimos vencedores, trabalhos habitualmente da autoria de jovens autores.
Natural candidato é também Good Night and Good Luck. O filme que George Clooney produziu, realizou, protagonizou e também escreveu, foi recentemente galardoado pelo seu argumento no Festival de Veneza. A história tem todos os condimentos de sucesso, e este é um dos filmes que pode surpreender em 2005.
Quem também pode voltar á ribalta é Paul Haggis. Depois da sua nomeação no ano passado na categoria de melhor argumento adaptado, com Million Dollar Baby, o argumentista agora também realizador, volta à carga com o belo e profundo trabalho que dá pelo nome de Crash. O principal senão é a distância a que o filme foi lançado, e o peso da concorrência. Mas o valor para a nomeação acontecer de facto, está todo lá.
The New World, o novo filme de Terence Malick, pode despertar a atenção da Academia em várias categorias técnicas, mas convencerá numa arena mais dramática? O realizador deve acreditar que sim e o argumento, de sua autoria, é igualmente um mais que provável candidato à nomeação.
A última vaga, é como sempre, um espaço deixado em aberto. Até porque há quase duas dezenas de filmes com legitimas aspirações a ocupar qualquer um dos cinco lugares finais. Um filme que tem colhido muitos aplausos em Toronto, onde decorre o festival que é também um primeiro filtro dos "oscarizáveis" é Walk the Line. Com argumento (e realização) de James Mangold, o filme conta a história do músico country Johnny Cash, e do seu atribulado percurso de vida. Mas se nem Ray foi nomeado, muitos perguntam-se se Walk the Line conseguirá o feito.
Os outros candidatos - todos eles fortissimos, todos eles com grandes possibilidades de ser nomeados - são essencialmente Mrs Henderson´s Presents, Cinderella Men, The Three Burrials of Melquiades Estrada, Match Point, The White Contessa, Broken Flowers, The Family Stone e Millions. Até Dezembro tudo pode mudar, e todos partem praticamente na mesma situação.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:36 PM | Comentários (0)
setembro 12, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Filme Animado



É dificil fazer as contas a esta categoria não ano em que não há Pixar. A grande vencedora dos últimos dois anos tem Cars preparado para 2006, mas este ano não apresenta nenhum filme a concurso. E assim baralha todas as contas.
Com apenas três vafas é dificil definir para onde vão os votos dos membros da Academia.
Wallace and Gromit e Chicken Litlle parecem dois nomeados bastante prováveis. O primeiro filme segue as aventuras de umas populares personagens animadas, e é produzido pela Dreamworks, os estúdios rivais da Pixar que, têm ainda na manga um outro trunfo chamado Madagascar. No ano transacto o óscar foi para a Pixar mas as outras duas nomeações acabaram por ser para a Dreamworks. Será que este ano o cenário se irá repetir?
Chicken Litlle é um filme da Disney, os reis da animação até meados dos anos 90. O filme é popular para já mas não se sabe se irá resistir ao dominio Dreamworks.
Por fim há Corpse Bride. Ou não! Essa é uma das grandes dúvidas do ano, saber se a Academia se vai apaixonar, como o resto do mundo, pela animação de Tim Burton que conta com Johnny Depp e Helen Bonham-Carter em versão animada. O filme artistico do ano poderia ser este, mas a competição existe. Owl´s Moving Castle de Hayo Miazaki é igualmente um candidato a ter em conta (Spirited Away foi o fenómeno que foi), e pode ainda haver surpresas com filmes como Robots, Valiant ou SteamBoy.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:50 PM | Comentários (2)
setembro 11, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Montagem





A categoria rainha entre os lotes de categorias técnicas, é normalmente conquistada pelo grande vencedor da noite. Nem sempre é assim, e 2004 demonstrou-o, mas contra factos não há argumentos e provavelmente os grandes nomes finais marcarão presença neste lote de cinco nomeados.
Munich, a surpresa de última hora que Spielberg está a preparar com todo o secretismo, é um dos maiores candidatos ao triunfo final. E por isso é natural que a sua presença nas categorias técnicas seja regular. Tão cedo é dificil antever em quais, mas se o filme for realmente um potencial vencedor, então esta nomeação está garantida.
Já Jarhead funciona numa lógica diferente. Parece ser um óptimo filme, a julgar pelas primeiras criticas, de um menino bonito da critica e da Academia, como é Sam Mendes, e o trabalho de montagem num filme de guerra é habitualmente exemplar. Mas com Munich será que há espaço para o filme? Para já acreditamos que sim, mas não excluimos que esta vaga possa ser de um filme mais intimista.
Memoirs of a Gueisha e The New World parecem nomeações naturais, já que são os dois filmes que se destacam mais, até ao momento, nas categorias técnicas. Mas se o drama de Marshall e o épico de Malick falharem em convencer, serão facilmente substituidos, tanto no lote final, como em muitas das categorias onde se prevê a sua nomeação. E esta será uma delas.
Por fim, a última vaga vai para um excelente trabalho de montagem de um filme que teve os aplausos da critica mas a quem faltou o eco do público. No entanto há quem acredite numa segunda vida para Cinderella Man, capaz de arrancar para um bom sprint final.
De qualquer forma, estas vagas são muitos susceptiveis a mudanças, porque reflectem sempre os favoritos. Com o Festival de Toronto aí, e as estreias da maior parte dos filmes agendadas para os próximos três meses, veremos se The Constant Gardener, Good Night and Good Luck, Mrs Henderson´s Presents, Walk the Line, All the King´s Men ou Brockback Mountain podem sonhar com um lugar, não só aqui, mas bem mais alto, na categoria onde todos querem estar.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:37 PM | Comentários (3)
setembro 10, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Fotografia





Categoria essencial e das mais interessantes, a melhor cinematografia tempor hábito premiar o trabalho fotográfico mais poético. Nos últimos anos isso tem sucedido, com algumas intermitências é erto, e este ano a oferta é imensa o que vai dificultar bastante a escolha dos votantes.
The New World é um filme de Terence Malick, e isso só de si já diz tudo. É talvez, a par de Wong Kar Wai e Clint Eastwood, o realizador que melhor aproveita a fotografia nos seus filmes, e este drama histórico em tons de poesia humana parece seguir as pisadas dos seus antecessores.
Também Memoirs of a Gueisha, pelo universo adjacente á história, parece ser um filme abençoado com um trabalho fotográfico intenso e cativante. Já os três outros filmes que o Hollywood prevê poderem ser nomeados, apesar de estarem longe das categorias maiores, prometem ter dos melhores trabalhos fotográficos dos últimos anos.
Comecemos por Brockback Mountain, o filme de Ang Lee, igualmente um director extremamente hábil no manejo da fotografia. As paisagens do Oeste americano, e a relação proibida entre dois homens são o leit motiv para um trabalho de excelência que, se não for travado pelo tabu homossexual de Hollywood, pode mesmo ser um favorito.
A preto e branco, e com uma profundidade dramática espantosa, está a fotografia de Good Night and Good Luck, o novo filme de George Clooney. O filme anda nas graças da critica e promete. Quem também já esteve nas graças da critica e promete continuar a estar é The Three Burrials of Melquiades Estrada. Quem já viu diz que a fotografia é excelente. Mas o mais provável, como acontece sempre, é que esta vaga acabe por cair nas mãos de um filme de maior peso. Munich, All the Kings Men, Walk the Line ou The Constant Gardener podem ocupar a vaga. Mas até lá, fica assim!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:11 PM | Comentários (1)
setembro 09, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Guarda-Roupa





Tal como o óscar de direcção artistica, este é um prémio especial porque depende não só das carcteristicas do próprio filme (filmes musicais, históricos e de época têm mais tendência a captivar pelo vestuário diferente) e dos filmes a concurso.
Seguindo a teoria que os musicais e os filmes históricos arranjam sempre lugar cativo nesta categoria, então é fácil explicar que Memoirs of a Gueisha e The New World parecem candidatos naturais a duas das vagas.
E se os filmes de época são habitualmente candidatos naturais, então Mrs Henderson´s Presents (que recupera o universo dos teatros londrinos da primeira metade do século) e All the King´s Men, também são filmes com grandes hipóteses de estarem entre os nomeados.
Em relação à quinta vaga, a Academia poderá preferir o universo do guarda-roupa dos filmes de guerra, e aí terá Jarhead e talvez Munich para escolher, ou então variar, e aí Charlie and the Chocolate Factory, Brother´s Grimm, Ask the Dust, Walk the Line, Casanova ou The White Contessa podem ter as suas oportunidades. Para não falar nos outros musicais e filmes de época do ano.
Feitas as contas, talvez a vantagem esteja do lado de Jarhead, mas se o impacto de Munich for o que muitos prevêem, então será o filme de Spielberg a conquistar a vaga. A ver!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:36 PM | Comentários (1)
setembro 08, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Maquilhagem



Categoria sempre surpreendente e que promete continuar a se-lo neste ano de 2005. O facto de ter apenas três vagas joga sempre a favor do efeito surpresa que este ano pode chamar-se Nanny McPhee ou The Chronicle of Narnia.
Para já há três filmes que parecem colocar-se claramente na linha da frente. Memoirs of a Gueisha promete ser um dos mais perfeitos trabalhos de maquilhagem dos últimos anos, e por isso é o favorito máximo a arrecadar o trofeu.
Já The New World tem tudo para vir a ser nomeado. Maquilhagem não só das tribos indias do sul dos Estados Unidos no século XVII, mas também a recriação do visual dos próprios colonos. E conhecendo bem o preciosismo de Malick, o resultado deve ser bastante bom.
Por fim Sin City é um nome que está longe de ser consensual, mas o notável trabalho visual, que passa também pela maquilhagem do leque de actores, parece pender a favor de Frank Miller e Robert Rodriguez.
Mas, a haver surpresas, como já se disse, serão Nanny McPhee, The Chronicles of Narnia, Charlie and the Chocolate Factory (que fizeram com Depp quase o que Mar Adentro faz de Bardem) ou Brothers Grimm a saltar para a linha da frente.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:11 PM | Comentários (2)
setembro 07, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Direcção Artistica





Categoria complexa e que começa a deixar a entender as posições finais, no que ao número de nomeações diz respeito. Talvez em Novembro filmes como Munich, Walk the Line, Brockback Mountain ou The Constant Gardener já tenham conquistado um lugar nesta vaga. Mas para já a situação pende para o universo musical.
Memoirs of a Gueisha, Mrs Henderson´s Presents e The Producers parecem ter aqui nomeações certas. São musicais - que têm sempre lugar cativo nesta vaga - e funcionam em decors trabalhados ao minimo pormenor, especialmente em espaços fechados.
Para a beleza dos espaços abertos de uma América ainda virgem, e para a recriação das primeiros colónias e cidades indias da América do Norte, está The New World, filme que promete conquistar algumas nomeações técnicas importantes.
Por fim, na quinta vaga, reina a incerteza. Mais um musical como Oliver Twist pode parecer excessivo. Apesar dos brilhantes espaços criados pelo universo burtoniano, Charlie and the Chocolate Factory não é um favorito ás nomeações. E Brockback Mountain, Munich e Jarhead são nomes de peso, mas sem cenários construidos a rigor. Por isso, All the King´s Men é uma hipótese, arriscada sim, mas uma hipótese para conquistar esse último lugar. Mas com a condição de vir a ser um dos filmes do ano. Porque se a Columbia deixar cair o filme, ou a Academia não quiser premiar um remake, esta nomeação perde todo o sentido.
Porque, como sabemos, há nomeações que existem mais para enriquecer o calendário de um filme, do que propriamente para espelhar o bom trabalho realizado. E o vencedor do filme do ano dificilmente escapará a uma nomeação nesta categoria. A questão é saber, de antemão, quem será ele.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:44 PM | Comentários (2)
setembro 06, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Efeitos Visuais



Talvez seja uma das previsões mais arriscadas, a de Efeitos Visuais. Isto porque deixar War of the Worlds de fora parece improvável. Mas a questão é mesmo essa, que filmes ficarão de fora. Star Wars é normalmente uma presença assidua nesta categoria e será dificil que o último capitulo da saga seja excluido. Já King Kong tem Peter Jackson a comandar uma equipa que provou ser verdadeiramente perita em efeitos especiais. Uma nomeação igualmente provável.
E depois? Depois há o resto. Há Batman Begins, Charlie and the Chocolate Factory, Brothers Grimm, Harry Potter and the Goblet of Fire e até mesmo Kingdom of Heaven. Mas, acima de tudo, há Sin City, um filme que ameaça romper com barreiras na arte dos efeitos especiais. Só pelo seu vanguardismo torna-se um candidato de peso. Talvez o único capaz de destronar o filme de Spielberg.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:37 PM | Comentários (2)
setembro 05, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Categorias Sonoras
São três as categorias ligadas ao tratamento do som que a Academia foi criando ao longo da história. Desde a popular escolha de melhor Banda-Sonora, sem esquecer as categorias mais técnicas de Melhor Som e Edição Sonora, estas são normalmente categorias que ajudam a distribuir óscares pelos diversos candidatos. Basta ver o que aconteceu no ano passado.
MELHOR BANDA SONORA





O ano de 2004 ficou marcada pela "desclassificação" daquelas que podiam ser consideradas como as bandas sonoras favoritas: Ray, The Aviator e Million Dollar Baby. Este ano, a situação pode repetir-se, mas para já apresentam-se cinco favoritos na linha da frente, com uma serie de outros candidatos que podem igualmente almejar uma nomeação.
John Williams é já um mito nestas andanças. Este ano o compositor tem dois filmes que lhe podem valear uma nomeação. Não só faz a banda sonora de Munich, o titulo mais aguardado do ano por todas as razões e mais algumas, mas também é ele quem pautao ritmo de Memoirs of a Gueisha. E provavelmente será por este filme que conseguirá mais uma nomeação. E quem sabe, mais uma vitória.
Também na lista de favoritos estão James Horner, pelo seu trabalho em The New World - as bandas-sonoras de Malick são sempre algo de espectacular - e também Gustavo Santaollala, que depois da brilhante composição para Diarios de Motocicleta está de regresso, agora com Brockeback Mountain.
Duas interrogações nesta categoria dão pelo nome de Charlie and the Chocolate Factory e Walk the Line. No primeiro caso há um verdadeiro mito da composição, Danny Elffman, a assinar uma das mais espantosas bandas sonoras do ano. Mas será que a Academia terá vontade de o nomear? E por outro lado, será que a música de Johnny Cash é banda-sonora suficiente para conseguir um lugar nos cinco mais?
De qualquer forma, face a estas dúvidas, Munich (de novo por John Williams), Jarhead (Thomas Newton), Mrs Henderson´s Presens (Gary Fenton) ou The Libertine (Michael Nyman), são rivais a ter em linha de conta. A não ser que haja alguma grande surpresa (The Producers, Star Wars III, Harr Potter and the Goblet of Fire), as nomeações deverão passar por aqui.
MELHOR SOM





Cinco vagas dificeis de preencher, já que, sendo uma categoria técnica, é bastante dificil analisar as intenões de voto dos técnicos de som ligados à Academia. Talvez Batman Begins, Star Wars ou War of the Worlds tivessem direito a uma vaga, mas num ano onde a maior parte dos filme são bastante "sonoros", cabe a King Kong a vaga do blockbuster. Até porque Peter Jackson é já um nome consensual e o filme da Universal deverá coleccionar apenas pequenas nomeações como esta.
Memoirs of a Gueisha é um musical, Walk the Line é um drama sobre um músico e por isso, tal como Chicago, Moulin Rouge ou Ray, é natural que ambos os filmes consigam ser nomeados, apresentando-se mesmo na linha da frente para arrecadar a estatueta.
A Jarhead e The New World, pela peculariedade de cada filme (um drama de guerra e um drama histórico), ficam as restantes vagas, já que os filmes parecem preencher bem os pre-requisitos para serem eleitos no lote final.
Com isto, filmes como The Producers, Oliver Twist, Mrs Henderson´s Presents, mas também Munich, Cinderella Man e mesmo All the King´s Men, colocam-se como os perseguidores mais naturais a estas vagas. Afinal, a corrida só agora começou.
MELHOR EFEITOS SONOROS



Esta é, por hábito, uma categoria intimamente ligada aos blockbusters. Daí que, num ano recheado de filmes cheios de efeitos, visuais e sonoros, seja dificil escolher apenas três. Numa primeira escolha, a fava calhou a Batman Begins.
Tanto King Kong como War of the Worlds devem ser nomeados, enquanto que Star Wars é já um mito nesta categoria. Mesmo assim, é preciso ter bastante atenção ao filme de Christopher Nolan sobre o Homem-Morcego, mas também a Harry Potter and the Goblet of Fire, Charlie and the Chocolate Factory, e também a Walk the Line, Jarhead e Kingdom of Heaven, sendo que o último, com uma excelente edição de som, apenas perde por não ter sido o sucesso que se esperava. De fora da corrida parecem estar The Island, Stealth e Sin City.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:34 PM | Comentários (5)
setembro 04, 2005
Oscarwatching 2005 - As Outras - Interrogações
Paramount, Lions Gate, Sony Pictures e Touchstone Pictures, são as outras quatro produtoras que vão à luta na edição deste ano. Mas, salvo alguma surpresa, parecem ter poucas armas para contestar o poder e a qualidade dos outros estúdios.

Elizabethtown de Cameron Crowe corre o risco de ser uma das mais fortes apostas da Paramount. Mas para além de Susan Sarandon e de um divertido argumento, a verdade é que o filme tem despertado pouca atenção para já, o que é sempre um mau sinal para um potencial candidato. Também Ask the Dust e The Weather Man poderiam sonhar, há alguns meses, com um maior impacto do que parecem realmente ter. O primeiro pode ter em Donald Sutherland e no seu guião o ponto mais forte. O segundo deposita as suas esperanças numa nomeação de Cage aos Globos.

As unicas armas da Touchstone Pictures são Casanova e Shopgirl. O primeiro filme é de Lasse Hallstrom e conta com Heath Ledger no papel do mitico amante. Decors e guarda-roupa de época pautam o ritmo do filme que tem, nesse aspecto, um competidor directo em The Libertine da Weinstein Co. Já Shopgirl foi escrita e é dirigida por Steve Martin, o mago da comédia que aqui passa para segundo plano deixando Claire Danes brilhar. Mas o impacto deverá ser minimo.

A Sony Pictures, é, das pequenas produtoras, aquela que mais hipóteses tem de surpreender. Para isso tem quatro cavalos que podem correr melhor do que se espera. Capote é a biografia de um dos mais conceituados e polémicos autores norte-americanos, e tem Philiph Seymour-Hoffman como Truman Capote um potencial candidato a melhor performance do ano.
Já The White Contessa traz outro fabuloso Ralph Fiennes, como um cego diplomático que trava amizade com uma condessa russa, no pós-revolução comunista. Filme profundo e com bastantes adeptos. Por fim Breaksfast in Pluto é um pungente drama de Neil Jordan que tem em Cilian Murphy um jovem que troca a Irlanda natal por uma aventura em Londres nos anos 70, onde se descobre travesti e amante da noite.

A Lions Gate apenas apresenta a competição o belissimo Crash, filme de estreia de Paul Haggis. O argumento poderá ser a única nomeação de um dos filmes mais belos do ano, mas o estúdio apostará nos desempenhos de Don Cheadle, Terence D. Howard e Matt Dillon, e talvez num forcing para o excelente trabalho fotográfico deste filme de estreia de um dos mais notáveis argumentistas de Hollywood.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:04 PM | Comentários (2)
setembro 03, 2005
Oscarwatching 2005 - Focus - A força dos indies
Imensa matéria prima tem a Focus Features para este este. No entanto o estúdio não é conhecido pela sua força, e na hora da campanha isso poderá contar. Até porque é tanta a matéria prima de qualidade, que alguém vai ter de cair até ao fim da corrida.

Por onde começar? Pela beleza visual de Ang Lee e do seu (já) polémico Brockback Mountain? Ou pela enorme expectativa que se tem criado à volta do ensaio sobre John LeCarré e África que Fernando Meirelles fez em The Constant Gardener? E há ainda Broken Flowers, com um enigmático Bill Murray, ou ainda Prime com uma Uma Thurman sedutora e ainda Keira Knightley em mais uma versão de Pride and Prejudice. É muita qualidade para um carrinho só.

Brockback Mountain, em teoria, teria boas hipóteses. Bom enredo, elenco jovem e promissor (Heath Ledger e Jake Gyllenhall têm a companhia de Michelle Williams e Anne Hathaway), e o ambiente do velho oeste revisitado agora pelo poeta que é Ang Lee. Mas a Academia tem uma gigantesca percentagem de votantes com mais de 70 anos. E o tema western-gay certamente terá uma recepção fria, se não mesmo gelada. O que pode congelar logo as ambições do filme.

Já The Constant Gardener parece ter mais hipóteses, já que não so é a adaptação de um dos autores mais respeitados no mundo, como é Le Carré, como também é dirigido por Fernando Meirelles, que conquistou o coração da Academia com o seu fabuloso Cidade de Deus. E tem Ralph Fiennes no seu melhor, ele que é (a par de Depp, Carrey, Murray e Bridges) o mais injustiçado actor da Academia. Tudo isso, mais as espantosas criticas que o filme está a receber, podem ajudar a catapultar uma candidatura.

Por fim há ainda o espirito mais indie de Broken Flowers. Aí o destaque irá para o argumento de Jarmush e para o desempenho (mais um) de Bill Murray, ele que em Lost in Translation começou um cilco espantoso de notáveis desempenhos. Por isso, a Focus terá muito trabalho pela frente, e fica a certeza que do melhor que se fez em 2005 teve esta etiqueta por trás.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:41 PM | Comentários (3)
Oscarwatching 2005 - Fox - Ao som de Cash
As apostas da Twentieth Century Fox vão todas em Johnny Cash. Quer dizer em Joaquin Phoenix. Ou seja, em Walk the Line. Os estúdios acreditam que é possivel fazer melhor que Ray e esperam conquistar o mundo com mais um biopic do universo musical.

O filme é dirigido por James Mangold, um nome menor em Hollywood. Mas também o era Taylor Hackford, dizia-se. Conta com Joaquin Phoenix, um actor já nomeado como secundário em Gladiator mas que tem falhado em provar todo o seu valor. O mesmo se passava com Jamie Foxx argumentam os defensores de Walk the Line. Mas se é verdade que a vida de Johnny Cash é mais cinematográfica que a de Ray Charles, também é verdade que dois biopics do mesmo estilo em anos conse ter o efeito contrário ao que a Fox prevê. A saturação também existe em Hollywood e se Walk the Line não fugir muito de Ray, dificilmente serão convencidos os membros da Academia da mais valia deste filme. Mesmo assim é uma aposta a ter em consideração.

Como alternativa a Fox tem In Her Shoes, uma comédia liderada por Cameron Diaz e dirigida por Curtis Hanson. Mas aí o interesse é outro. A luta entre Tony Collette e a veterana Shirley McLaine por uma vaga na categoria de melhor actriz secundária promete.
Quem pode surpreender é Separate Lies. O filme conta com Emily Watson e Tom Wilkinson como um casal á beira da separação e é da autoria do argumentista de Gosford Park. Um drama inglês que calha sempre bem à Academia. No fundo pode ser a grande surpresa do ano.
Por fim o trunfo mais escondido na manga da Fox dá pelo nome de Bee Season. É um filme independente, ligado à Fox Searchlight, e conta com Richard Gere e Julliete Binoche no centro de uma história cativante e que pode conquistar a critica e surpreender.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:58 AM | Comentários (1)
Oscarwatching 2005 - Miramax/Weinstein Co. - O ano da transição
Nenhuma produtora fez tanto furor no universo dos óscares como a Miramax nesta última década. Mas os problemas com a Disney vinham já de long data e o fim da parceria terminou este ano. E com ele nasceu a Weinstein Co. Para 2005 o ano será de transição para os irmãos Weinstein. Os seus projectos ainda na Miramax não deverão ter muito sucesso e sobre os seus novos projectos há muitos pontos de interrogação.

Unfinished Life e Proof eram os grandes trunfos da Miramax. Ainda sob contracto com os Weinstein, estes dois filmes eram bastante falados pelo dramatismo da narrativa e pelos desempenhos dos seus actores. De um lado estavam Robert Redford, Morgan Freeman e Jennifer Lopez. Do outro Gwyneth Paltrow, Anthony Hopkins e Jake Gyllenhall. Mas os primeiros sinais não são assim tão positivos quanto isso, e há quem não tenhas dúvidas em dizer que os Weinstein vão apostar nos filmes da sua nova produtora, deixando pouco espaço de manobra para os filmes da Miramax que depois de um ano onde The Aviator e Finding Neverland conseguiram ser nomeados para Melhor Filme, fazendo história para a produtora, ameaça passar ao lado da edição deste ano.

Mas falando já da Weinstein Co. há certamente que ter em atenção a dois nomes: Mrs Henderson´s Presents e Transamerica. Ambos são o que se chama, filmes de actrizes. Raro em Hollywood, mas num ano em que os grandes titulos são extremamente masculinizados, pode revelar-se uma aposta certeira. E em campanhas e apostas há poucos como os Weinstein.
Mrs Henderson´s Presents é dirigido por Stephen Frears, um nome que desperta palavras elogiosas em Hollywood, e conta com um magistral (assim se diz) desempenho de Judi Dench. A actriz britânica já recebeu um óscar secundário muito polémico (apenas 10 minutos de pelicula em Shakespeare in Love) mas agora prepara-se para atacar o óscar principal. E conta com um elenco de luxo atrás de si onde se destaca Bob Hoskins, outro veterano.

Já Transamerica ameaça ser um dos filmes indie do ano. Conta com Felicity Huffman (na moda graças ao sucesso da serie televisiva Desperate Housewives) num desempenho também apelidado de espantoso por quem já viu o filme. Huffman é um transexual que tem de se habituar à America conservadora, e que ao mesmo tempo procura o seu espaço e identidade.
O principal problema nas mãos da Weinstein Co. pode ser o de escolher entre Dench e Huffman para atacar a categoria de actriz principal. Mr Hendersons Presents terá pouca ambição fora das categorias ditas mais sérias, onde terá concorrência de peso, mas o seu jogo acenta todo em Dench. O mesmo se passa com Transamerica, sendo que Huffman procura assegurar a habitual vaga surpresa que já foi de Catalina Moreno ou Keisha-Castle Hughes.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:59 AM | Comentários (0)
setembro 02, 2005
Oscarwatching 2005 - Columbia - Rival temivel
Apesar de ter começado por ser uma pequena produtora, hoje a Columbia é dos estúdios com mais óscares conquistados. E este ano, para não fugir à regra, a Columbia apresenta-se fortissima e pronta a atacar. Resta saber se no final a escolha recai no revisitar do passado ou na viagem a um mundo diferente.

Um pouco como a Universal, também a Columbia está com um problema de excesso de oferta. Daí que os próximos meses sejam essenciais para se perceber em que cavalos os estúdios irão apostar. A critica e o público terão uma palavra decisiva, mas no final as apostam até se podem dividir. E os grandes cavalos da Columbia dão pelo nome de All the King´s Men e Memoirs of a Gueisha.
O primeiro já valeu meia dúzia de óscares á produtora, no passado, corria o ano de 1949. Agora o remake, o primeiro de um filme galardoado pela Academia, conta com um elenco de peso com Sean Penn a recuperar o papel de Broderick Crawford. A ele juntam-se Anthony Hopkins, Jude Law, Kate Winslet, James Gandolfini e Patricia Clarkson. Um elenco de peso para o filme de Steven Zaillian mas que poderá querer não dizer nada. Afinal já se viram filmes cair por menos. E a pergunta que se faz é se na hora H, a Academia vai eleger o mesmo filme duas vezes. Há quem diga que não e que isso vai acabar por ser decisivo na escolha da Columbia.

Caso isso aconteça quem passa automaticamente para primeiro plano é o musical de Rob Marshall ambientado no Japão do século XIX. Memoirs of a Gueisha conta com Zhang Ziyi, Gong Lee, Michelle Yeoh e Ken Watanabe e procura encantar a Academia através do decor e ambiente orientais, algo que já resultou em The Last Emperor de Bertolucci. Mas Marshall já viu um filme seu premiado em 2002 e muitos duvidam que repita a dose.
E depois há ainda o regresso de Polanski (o homem que tirou o óscar a Marshall) com o seu musical Oliver Twist, e Rent, filme de pequenas histórias onde pontifica Rosario Dawson. Ambos os filmes parecem ter pouquissimas chances de brilharem, a não ser que a critica os consagre de tal forma que seja impossivel aos estúdios não apostarem neles.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:36 PM | Comentários (0)
Oscarwatching 2005 - Dreamworks - Que fazer?
Os estúdios estão claramente em baixa. Depois do fiasco de The Island falou-se mesmo em venda. Madagascar não foi o sucesso esperado e Munich pode passar para a Universal. Só Woody pode salvar a Dreamworks.

De facto, à partida, tudo parecia correr bem. O filme tinha War of the Worlds para as categorias técnicas e Munich para o resto das categorias. Mas os problemas financeiras praticamente inviabilizaram uma campanha aguerrida como o filme de Spielberg irá precisar. Por isso o realizador está tentado em deixar isso nas mãos da Universal, que co-produz o filme, deixando à Dreamworks a tarefa de reconquistar o óscar de melhor filme animado (num ano onde não houve Pixar), e de tentar que War of the Worlds consiga o máximo de nomeações técnicas possiveis.
Por isso resta Match Point, o drama de Woody Allen, talvez um trunfo para os estúdios. Poucos estão convencidos disso mas nomeações em argumento e actriz secundária (Scarlett Johansson) não são totalmente descabidos. E Woody Allen pode mesmo ajudar a salvar os estúdios de Spielberg.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:32 PM | Comentários (2)
Oscarwatching 2005 - New Line Cinema - Corrente alternativa
A New Line já não vive os dias de glória de Lord of the Rings, mas em 2005 não se vai poder queixar. Tem em mãos dois potenciais favoritos da critica. Quem sabe se daqui não sairá uma surpresa?

The New World marca o regresso de Terence Malick. E que regresso. Com uma fotografia e montagem fantásticas, o filme do mais poético dos realizadores em actividade promete conquistar tudo e todos. A critica pela forma como aborda o problema do choque de civilizações, e pela forma como filme os indios, os colonos, dois mundos que se cruzam, com uma simplicidade aterradora. O público pelas cenas de amor, pelo espalhafatoso guarda-roupa de época, e pela presença sempre entusiasmante de Colin Farrell. O filme é a história de Pocahontas mas sem os malabarismos da Disney e com o olhar clinico de Malick. Com um interessante elenco secundário, o potencial deste filme é tremendo. E depois de Days of Heaven e Thin Red Line, pode ser a terceira nomeação do australino.

Já conquistou a critica. Diz-se que é o Cronenberg mais duro, mordaz, aquele que vai ficar para a história. Dizer isso de um autor que tem na bagagem Dead Zone, Dead Ringers, Crash ou ExisteNz é ousado. Mas A History of Violence promete. Promete muito. Viggo Mortensen, Maria Bello, William Hurt e Ed Harris estão lá a pontuar um argumento mortifero do canadiano. Conquistou a critica em Cannes (faltou um prémio), e ameça conquistar agora o público norte-americano. Será? Essa é a grande dúvida.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:12 PM | Comentários (0)
Oscarwatching 2005 - Universal : O problema da fartura
Se existe algum estúdio em Hollywood que tem em mãos alguns dos grandes favoritos aos oscares, esse estúdio é a Universal. Depois de um ano onde Ray acabou por ser o filme de destaque, os miticos estúdios estao de regresso em força. Mas as opções são tantas que no final, o óptimo pode ser inimigo do bom.

De facto a força da Universal pode vir a ser a sua queda. São quatro os potencias "oscarizáveis" que o estúdios tem em mãos. E se Cinderella Man deu um passo atrás, depois do enorme desastre de bilheteira em Junho, a verdade é que o estúdio ainda não excluiu definitivamente a hipótese de uma forte campanha de Inverno a favor do drama de Ron Howard. Só que isso coloca claramente um problema nas mãos do estúdio: o que fazer com os outros três filmes?

O problema mais delicado para já dá pelo nome de Munich. O filme de Steven Spielberg foi originamente produzido pela Dreamworks. Mas a produtora está numa grave crise financeira e pode acabar a breve trecho, dedicando-se apenas ao cinema animado onde combate com a Pixar pelo lugar de destaque. Por isso há quem diga que o filme que todos esperam e que mesmo assim não tem levantado o entusiasmo que se esperava, possa ser distribuido e claro, apoiada pela Universal. O que faz com que haja muitos candidatos para um poleiro só: o favorito do estúdio.

Quem pode sair a perder com esta indecisão é Jarhead. Filme de Sam Mendes, o primeiro grande drama sobre a Guerra do Golfo (Three Kings é ainda hoje um filme especial), conta com um elenco oscarizado e oscarizável. Uma boa premissa, um excelente trabalho de edição e de fotografia, mas que pode ser insuficiente na hora H. O filme estreia em Novembro (primeiro que Munich) e pode catalizar o apoio da critica e do público, mas se o impacto não for muito grande, a Universal pode mesmo deixar o projecto cair. A indecisão paira sobre a equipa do filme que apostou imenso na próxima edição dos óscars.

Quem poderá sair definitivamente a perder com esta politica interna da produtora são os filmes King Kong e The Producers. O primeiro marca o regresso de Peter Jackson, mas dificilmente deverá almejar mais do que algumas categorias técnicas, apesar de se prever um grande resultado de bilheteia. Já The Producers, um dos maiores sucessos da Broadway, era uma aposta pessoal de Nathan Lane e Mathew Broderick que a produtora parecia apoiar. No entanto a enchente de candidatos a número 1 da produtora parece ter deixado o filme orfão de apoio. E talvez esse tenha sido mesmo o canto do cisne para um projecto ambicioso.

E se em questão de filmes a confusão é grande, que dizer dos actores. Sem que o estúdio tenha uma actriz para apoiar, há uma verdadeira enchente nas categorias de actores. Decidir entre Munich, Jarhead e Cinderella Man pode também significar uma decisão entre Eric Bana, Jake Gyllenhall e Russell Crowe, para não falar em Daniel Craig, Peter Saarsgard e Paul Giamatti como secundários. Para não falar no elenco de King Kong e The Producers.
A confusão é muita na Universal e só no final do ano saberemos quais são os cavalos em que a produtora aposta. Até lá todos são candidatos de primeira linha. Mas como é raro a mesma produtora colocar dois filmes nos candidatos, alguém vai ficar pelo caminho. A pergunta é: Quem?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:23 PM | Comentários (1)
setembro 01, 2005
Oscarwatching 2005 - Warner Bros. - Sob o signo de Clooney
O estúdio vencedor em 2004 está desarmado em 2005. É facil perceber que a Warner é uma coisa, com e sem um filme de Clint Eastwood na manga. O ano passado a aposta em épicos como Alexander e Troy falhou a todos os niveis e acabou por ser Million Dollar Baby a salvar a face da produtora.

Este ano não há Clint, e por isso a produtora não sonha alto. Mas tem um poderoso trunfo que pode (apesar de não ser muito previsivel) surpreender muita gente. O trunfo chama-se George Clooney.
O actor que agora também realiza (e quem diz agora diz desde o notável Confessions of a Dangerous Mind), tem dois projectos em mãos, uma como actor e outra como actor-realizador. E se o primeiro (Syriana) não deverá criar grande eco junto do público, da critica e por conseguinte, dos votantes, já o segundo tem deixado muitos de água na boca. Good Night and Good Luck é um projecto que tem imenso potencial. Uma drama a preto e branco que não só ressuscita os fantasmas do McCarthismo (que fizeram eco em Hollywood) como também explora um excelente elenco num guião seguro e quase imaculado. George Clooney realiza e passa para segundo plano, dando destaque ao já apelidado de "inesquecivel" David Straiharn. E se a Warner apostar tudo neste filme, um eventual "menino bonito da critica" pode criar muito maior impacto.


A terceira aposta da Warner também tem por base um filme pequeno, mas que nas secções femininas pode dar que falar. Falo de North Country, filme dirigido por Niki Caro e que tem nas performances das já oscarizadas Charlize Theron, Frances McDormand e Sissy Spacek o seu maior trunfo. A tipica "white-trash girl" tem tido imenso sucesso em Hollywood, e apesar de ser dificil ver Theron juntar uma segunda estatueta à que já conquistou por Monster (não se pode esquecer no entanto Swank), este é um sério candidato nas categorias de melhor actriz e melhor actriz secundária. Resta saber o que a Warner vai fazer com estes três nomes na manga.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:07 PM | Comentários (4)
Oscarwatching 2005 - Considerações gerais
Com razão, a maior critica que se aponta aos Óscares é serem, em primeiro lugar, os prémios da indústria. Não há considerações apenas sobre os aspectos artisticos ou provocantes das obras. Normalmente são as obras mainstream, que não contestam o status quo e os muitos tabus que ainda subsistem em Hollywood, que acabam vencedoras, quando, nesse mesmo ano, haveria certamente outros filmes ou trabalhos merecedores de recompensa.

Porque os óscares, tal como o oscarwatching, são um jogo. Um jogo que se joga nos bastidores, entre os agentes desconhecidos dos grandes simbolos da industria norte-americana - os estúdios - e que decide, quase invariavelmente, o resultado. É quem faz melhor campanha, quem se mexe melhor junto dos votantes que acaba por levar a melhor. Não é uma verdade absoluta, mas é um facto verificável desde há muito. Por isso urge ver o que cada estúdio tem como trunfo para a campanha deste ano. É que muito passará por aí.
O ano passado pautou-se por um duelo entre a Miramax e a Warner Bros. No final foi mais a qualidade e o impacto de Million Dollar Baby, do que propriamente a campanha da Warner, que fez a diferença. É um facto, pela primeira vez os irmãos Weinstein fizeram melhor campanha mas mesmo assim sairam derrotados. Mas a verdade é que a campanha é fundamental. E por isso é importante conhecer quem joga porque estúdio e em quem poderão apostar os estúdios para discutirem as estatuetas mais apetecidas.
É um jogo sujo muitas das vezes mas compreende-lo é fundamental para se por em prática o chamado oscarwatching.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:37 PM | Comentários (1)
Oscarwatching 2005 - Previsões de Setembro
Arrancam hoje as primeiras previsões do Hollywood para a temporada de óscares que se adivinha.
Depois de já terem sido apontados alguns dos nomes que poderiam destacar-se em 2005, agora está na altura de olhar mais detalhadamente para cada uma das categorias. Prever nomeados e vencedores a esta altura do campeonato, quando 95% dos nomes falados ainda nem estrearam nos Estados Unidos, é praticamente irreal. Há nomes que parecem apostas consensuais, e mais ou menos, acerta-se sempre em alguma coisa. Mas quem será por exemplo, o Alexandre deste ano, que, na época passada, dominava todas as tabelas? E por inverso, haverá uma surpresa como foi Million Dollar Baby que irrompeu em Dezembro e arrasou a concorrência mais séria?
Seleccionar os nomes mais importantes (em alguns casos é ainda dificil distinguir entre 5-10 nomes em algumas categorias) e começar a pautar tendências é o principal papel destas previsões. Só em Novembro começa a haver certezas e mesmo no dia anterior ás nomeações continuarão a existir muitas dúvidas. Por isso o oscarwatching é um jogo. Um jogo sedutor e que o Hollywood se prepara para jogar, a partir de agora!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:26 AM | Comentários (4)
junho 20, 2005
Cinderella Man em queda...
Depois de ter sido apontado como um dos grandes favoritos à corrida aos óscares, a verdade é que a Universal anda de cabeça perdida à volta de Cinderella Man.
O filme tinha todos os ingredientes de sucesso - realizador, elenco, história - mas a verdade é que o público virou as costas ao filme. Apenas 34 milhões de dólares em duas semanas, faz com que o filme esteja muitissimo longe dos numeros esperados pela produtora. Batido pelos blockbusters de Verão, Cinderella Man pode ter visto as suas esperanças arruinadas, isto apesar de uma critica bastante positiva.
Resta saber se os resultados na Europa, uma forte campanha de marketing, uma boa edição em Dvd, e ainda o papel da critica lá mais para o fim do ano, podem salvar um candidato à beira do precipicio.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:10 AM
junho 07, 2005
Oscarwatching - Senhoras, é tudo uma questão de sprints
Os óscares da Academia não são apenas uma cerimónia, um prémio. São uma verdadeira maratona para a industria cinematográfica norte-americana. Mas a verdade é que muitas vezes essa maratona é decidida ao sprint. E no caso de categorias como a de Melhor Actriz, isso é por demais evidente.
E este ano há já quem corra a maratona a grande nivel e quem se prepara para um mortifero sprint final.
Para já há três actrizes que partem claramente na linha da frente. A questão é saber se aguentam até ao final nas mesmas condições.

Em primeiro lugar está Joan Allen. O seu espantoso desempenho em The Upside of Anger não passou despercebido a ninguém. A critica aplaudiu, o publico gostou, e Allen é oficialmente a lider da prova nesta altura.
Quem está em grande é Woody Allen. Com os seus dois filmes (Melinda and Melinda estreou este ano nos EUA), o realizador colocou duas actrizes na linha da frente: Radha Mitchell e Scarlett Johasson.
De Mitchell já dissemos tudo na critica ao filme, e é claramente um belissimo desempenho. De Scarlett há pouco a dizer que já não foi dito. A primeira nomeçaão (que já tarda) terá de acontecer mais tarde ou mais cedo e Match Point parece ser um bom ponto de partida.
Mas, como sempre, são os filmes a estrear que habitualmente oferecem os desempenhos mais fortes.
E aí há uma serie de nomes a ter em atenção.
Inicialmente falou-se de Nicole Kidman por The Interpreter. Mas é dificil que a actriz consiga convencer os membros da Academia, um ano após a estreia do filme.
Já Felicity Huffman por Transamerica tem sido tida como uma forte candidata. A actriz que pode agora ser vista na serie televisiva Desperate Housewives, faz um brilhante papel neste pequeno filme e pode ser uma Allen de final de ano.
Sarah Polley tem recebido um apoio entusiastico pelo seu trabalho em The Secret Life of Words. Apesar de não ser uma actriz de renome - e este ano parece ser um ano em que as "grandes divas" estão fora da corida - o seu papel poderá valer-lhe alguns prémios este ano.
Quem também está em alta é a veterana, e já oscarizada, Judi Dench, pela sua performance como viuva excêntrica em Mrs Henderson Presents.
E claro, se Memoirs of a Geisha se afirma como um dos filmes do ano, será dificil esquecer a bela e talentosa Zhang Ziyi, que se tornaria na primeira actriz chinesa nomeada ao óscar.
Mas há outros nomes na corrida.
Claire Danes por Shopgirl e Cameron Diaz por In Her Shoes, vão tentar, pela comédia, alcançar notoriedade no final do ano.
No lado oposto vão estar Gwyneth Paltrow - com Proof - Uma Thurman em Prime e ainda Jennifez Lopez no filme Unfinished Life.
Charlize Theron vem à procura da sua segunda estatueta com Class Action, enquanto que Annette Benning - depois da sua segunda derrota às mãos de Swank - tentará com Running with Scissors, escrever direito por linhas tortas.
De outros nomes também se fala, como é o caso de Rosario Dawson em Rent, de Reneé Zellweger em Cinderella Man (se não for vista como secundária), de Kirsten Dunst em Marie Antoinette (se o filme estrear a tempo) ou de Reese Witherspon, caso o seu trabalho em Walk the Line, seja tido como principal.
Como ainda estamos em Junho - e já foquei este ponto de vista nos textos anteriores - isto é menos uma previsão e mais um estudo de campo. É impossivel (só com muita sorte) adivinhar os cinco nomeados, e mesmo os 10 candidatos principais, ás diferentes categorias. O que se pode fazer, desde já, é coleccionar os nomes que parecem ser mais fortes. Depois, juntar-lhe as surpresas que certamente irão suceder (quem esperava em Junho por Million Dollar Baby?)e aí sim, começar a calcular quem tem mais ou menos probabilidades.
Porque se neste momento alguém me perguntasse se eu sabia quem iria vencer qualquer estatueta, a resposta seria "Não, nenhum!". E a verdade é que em Janeiro o Hollywood tinha já acertado em todas as categorias principais que venceriam em Fevereiro. Por isso, esperemos por Novembro para adivinhar melhor.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:56 PM
junho 05, 2005
Oscarwatching - Muitos actores, muitas duvidas...nenhumas certezas
Analisar as prestações sem as ver, sem conhecer o seu real impacto - tirando umas reviews feitas em test-screenings e alguns rumores - é sempre dificil. Por isso tentar adivinhar nomeados aos óscares nas categorias de interpretação nesta fase é verdadeiramente impossivel. O máximo que se pode fazer é pegar nos actores que já mostraram o seu valor, juntar os nomes mais lógicos dos titulos a estrear, e deixar a porta aberta para as habituais surpresas que sempre existem.
Nessa medida, em termos de actores, o cenário até agora foi preenchido por dois nomes: Russell Crowe e Don Cheadle.
Crowe regressa, após um ano fora dos nomeados - algo quase atipico nos últimos cinco anos - e consta-se no Estados Unidos que é o australiano que ajuda a fazer de Cinderella Man um real candidato a uma nomeação. E depois há tudo o que faz Crowe um grande actor. Carisma, presença, estilo e muito talento. Pode ser que a fórmula resulte e que a quarta nomeação esteja a caminho.
Já Don Cheadle é uma surpresa o facto de estar em tão boa forma. Depois da nomeação-surpresa mas merecida por Hotel Rwanda, agora chega Crash e com ele de novo Cheadle no seu melhor. Será dificil o filme aguentar até Janeiro. Mas se o conseguir, o seu nome terá peso na altura de escolher os melhores do ano.
Sendo assim, e sendo estes os nomes que realmente já mostraram poder correr até ao fim, abrem-se as portas para inumeros candidatos. Desde já os três actores que estiveram em destaque em Cannes. Viggo Mortensen em A History of Violence, Tommy Lee Jones em The Three Burrials of Melquiades Estrada, Robert Downey Junior em Kiss Kiss, Bang Bang e Bill Murray em Broken Flowers. Mas será dificil ver papeis tão alternativos arranjarem espaço para caber no lote final.
Será preciso olhar com atenção para outros nomes. E ai Johnny Depp (pouco provável tres nomeações consecutivas, ainda por mais num filme como The Libertine), Eric Bana (Vengance, se estiver pronto a tempo), Jake Gyllenhal ou Heath Ledger em Brockback Mountain, Joaquin Phoenix em Walk the Line ou Sean Penn em All the King´s Men, são os mais fortes candidatos.
Depois há eventuais surpresas que podem passar por nomes como Orlando Bloom em Elizabethtown, Robert Redford em Unfinished Life, Clive Owen em Derrailed, Ralph Fiennes em The White Contessa e eventualmente Colin Farrell em The New World.
Claro que se compararmos a qualidade de 2004 com 2005, este ano fica claramente a perder. Mas muitos dos filmes ainda nem sequer estrearam, não há criticas sólidas, e muitos destes filmes podem-se revelar fracassos totais. Não avanço com cinco nomeados - é impossivel faze-lo até Novembro pelo menos - mas fica aqui o cenário mais provável no leque de actores.
De seguida falaremos um pouco sobre as actrizes, outra categoria extremamente complexa e muito dada a surpresas.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:00 PM | Comentários (5)
junho 03, 2005
Oscarwatching - Cinderella Man lidera antes do Verão
Chegamos a meio do ano e começam a saltar para os ecrãns os grandes filmes do ano que, em Dezembro, vão começar a atacar os prémios do ano cinematográfico.
Para já, o indie The Upside of Anger e o polémico mas aplaudido Crash, são os filmes que partem na linha da frente. Já quanto a Kingdom of Heaven, Star Wars The Revenge of the Sith, Sin City ou The Interpreter, os outros titulos de destaque a estrear até agora, as expectativas não foram completamente alcançadas. Se o filme de Lucas poderá ter algumas nomeações garantidas no campo dos efeitos especiais, já aos outros filmes será dificil conseguir prémios. Talvez o arrojo de Sin City ou um "renascimento tardio" do épico de Scott possam alterar o cenário.
Com o Verão recheado de blockbusters que não entram nestas contas, percebe-se que a partir de Outubro vão começar a estrear os verdadeiros candidatos. Para já perfilam-se como nomes interessantes a seguir filmes como Brockback Mountain, o western gay de Ang Lee, os musicais Memories of a Gueixa e The Producers, o regresso de Sam Mendes em Jarhead, os filmes que marcaram presença em Cannes, sem esquecer titulos como All the Kings Men, Prime, Walk the Line ou Elizabethtown. A juntar a isso haverá sempre surpresas de última hora que será preciso ter em conta.
O único filme que poderá entrar nessa corrida que estreia antes do Outono é Cinderella Man. O filme marca o regresso da colaboração entre Brian Glazer, Ron Howard e Russell Crowe, e tem recebido óptimas criticas nos Estados Unidos. Já foi tido como o melhor filme de Howard, e Crowe e Giamatti têm recebido vários aplausos. O filme estreia esta semana e resta agora perceber se o público vai dizer presente e reforçar a candidatura desta produção aos prémios da industria.
Se não houver surpresas de última hora, com os filmes estreados até agora, o cenário em Outubro será muito semelhante ao actual. Para já só se poderá especular sobre o real valor dos titulos mais esperados do ano. No Outono tudo poderá ser bem diferente!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:16 AM | Comentários (2)
dezembro 18, 2004
Óscares 2005 só em Março
A cerimónia dos óscares em 2006 vai decorrer apenas no mês de Março. A razão é o impacto televisivo que os Jogos Olimpicos de Inverno em Turim vão ter na programação televisiva em Fevereiro, época habitual da entrega dos prémios da Academia.
No entanto os responsáveis da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas já garantiram que o adiamento será apenas de uma semana e que em 2007 tudo voltará ao normal.
Para a edição dos óscares relativo ao ano de 2005 já se falam em alguns filmes como Proof, The Upside of Anger ou Kingdom of Heaven.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:08 PM