maio 06, 2006

Top of the Tops...as loiras de Hitchcock

Aquele que é provavelmente o mais genial cineasta da história do cinema era também um apaixonado por mulheres loiras e voluptuosas. Desde os seus dias como uma das maiores figuras do cinema britânico até à sua fase americana, Hitchcock brindou sempre os espectadores com actrizes que combinavam a sua beleza e o seu talento. Todas tinham algo em comum...a farta cabeleira dourada...
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CAROLE LOMBARD

Lombard, uma das maiores estrelas do cinema americano dos anos 30, fez apenas um filme com Hitchcock. Mas é importante ressalvar que este filme foi feito especialmente para ela. O cineasta era um apaixonado da actriz, mulher de Clark Gable, e quando numa festa Lombard lhe perguntou quando é que ele a convidava para protagonizar um filme, Hitchcock imediatamente avançou com Mrs and Mrs Smith. Uma screwball comedy - a única incursão do mestre do suspense no género - que permitiu ao público ver como o realizador era tão hábil na comédia como no suspense. O filme não foi um grande sucesso de critica e bilheteira mas é uma das mais agradáveis obras do realizador. Lombard não voltaria a trabalhar com Hitchcock. Não porque não fosse desejo de ambos, mas sim porque a actriz teve uma trágica morte em 1942 num acidente de aviação quando viajava pela América para conseguir apoios para o esforço de guerra norte-americano.
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TIPPI HEDREN

Foi a última loira fatal de Hitchcock. O realizador lançou-a em The Birds, ao lado de Rod Taylor, mas voltaria a trabalhar com ela em Marnie no ano seguinte. Heddren era a habitual loira hitchockiana. Fria, sedutora e fascinante, tinha todos os atributos que o realizador apreciava. Mas não era uma grande actriz, e as suas limitações foram também uma das razões pelos menores sucessos dos dois últimos filmes verdadeiramente fascinantes de Hitch. Uma carreira que ainda durou mais duas décadas mas que nunca atingiu o nivel que se pensava que poderia atingir.
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KIM NOVAK

Foi a mais sexual de todas as loiras fatais. Kim Novak fez de Vertigo um filme inesquecivel. Voluptosa como nenhuma outra, orgulhosa dos seus atributos, Novak parecia uma playmate, não fosse a intensidade dramática que sempre soube conferir ás suas personagens. Desfigurada por um acidente quando se começava a afirmar, nunca mais Novak foi nada perto do que Madeleine/Judy conseguiu ser: a mulher mais desejável à face da Terra. Hitchcock não a queria para o papel (a primeira escolha era Vera Miles), ficava incomodado com o facto da actriz passear pelo set com camisolas transparentes deixando tudo à vista, e acabou por não voltar a trabalhar com ela. Mas de que seria a maior obra prima do realizador sem esta mulher fatal?
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GRACE KELLY

Hitchcock sempre lamentou o casamento de Grace Kelly com Rainier do Mónaco. Ele preparava-se para fazer dela a sucessora de Ingrid Bergman que anos antes o tinha trocado por Rossellini. Depois de To Catch a Thief, Dial M For Murder e Rear Window, Grace Kelly afirmou-se como a maior virginal e inocente de todas as loiras fatais de Hitchcock. Trepidantemente sexual em To Catch a Thief, inocente e virginal em Rear Window, Grace Kelly não ficará para a história como uma grande actriz. Apesar do óscar conquistado em 1954. Mas certamente que os amantes do cinema não vão esquecer as suas performances nos filmes do mestre do suspense.
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INGRID BERGMAN

Bergman não precisava dos filmes de Hitchcock para se afirmar como uma estrela e grande actriz. Já o era e continou a ser. Mas encarnava na perfeição o papel de mulher que Hitchcock idealizava para os seus filmes. Fria, sedutora, virginal mas ao mesmo tempo apelativamente sexual, Bergman fez das suas colaborações com Hitchcock alguns dos grandes filmes dos anos 40. Spellbound, Notorius e Under Capricorn foram construidos sempre na premissa de um actorsólido e profundamente masculino - o vértice central da obra de Hitchcock - e uma loira inesquecivel. Bergman foi-o como mais nenhuma outra. Qualquer mulher que voltasse a trabalhar com Hitchcock viveria sob o seu fantasma. Mas Bergman continuou a existir. Com Rossellini, com Bergman...para sempre, como uma das maiores actrizes da história.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:47 PM | Comentários (3)

abril 08, 2006

The Top of the Tops - As Trilogias

Há histórias que nunca deviam acabar. São tão grandes, que as suas personagens nunca deviam finalizar a sua demanda ou atingir os seus objectivos. Deveriam ficar para sempre a lutar e a ganhar, renascendo cada vez que as queríamos conhecer de novo, vendo sempre uma grande obra como se fosse a primeria vez. Mas tal não é possível, pois tudo o que tem um começo tem um fim... Felizmente, há criadores que sabem quanto custa deixar para trás uma boa história e fazem de tudo para a perpetuar, quanto mais não seja por apenas algumas mas preciosas horas. Felizmente há trilogias.
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Manuel António Martins

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5. Back to The Future
Robert Zemeckis é um grande criador de histórias onde a ficção e a realidade s tocam constantemente, tornando qualquer trama muito mais imprevísivel do que seria a partida e muito mais plausível do que se fosse apenas imaginação. Em Back to the Future, construiu a melhor saga de sempre envolvendo viagens no tempo, e todos os consequentes paradoxos e estranhos twists que daí advêm.
Marty McFly é um jovem de 17 anos a quem quase tudo, como é normal nessa idade, corre mal: sente-se incompreendido, desajustado, vive em constante conflito com os pais. Só fora de casa é que encontra o conforto da namorada e o génio do cientista local, o Dr Emmet Brown (Christopher Loyd). E é precisamente durante um dos encontros com esse génio que Marty é apresentado a uma experiência que correu de forma estranha...mas que tem o incrível poder de viajar no tempo.
Ao longo dos três filmes a história é "linear", começando com Marty a viajar para 1955, onde acidentalmente quase arruina a sua existência, pois conhece os seus pais quando estes eram ainda adolescentes. A sua primeira missão é portanto juntá-los, e garantir assim que vários anos mais tarde ele próprio irá nascer, sob pena de vir a desaparecer caso falhe. Felizmente, tudo corre bem, mas como as viagens no tempo nunca são tão simples como parecem, no segundo filme Marty e Doc têm que voltar ao passado depois do DeLorean lhes ter sido roubado, e um dos inimigos de Marty ter enviado para o seu passado um livro com estatisticas desportivas dos proximos cinquenta anos, que o tornou rico e poderoso. A missão implica destroná-lo no passado, sem interferir com esse presente. Mais uma vez, a normalidade regressa, mas a verdadeira viagem dá-se no 3º filme, quando Doc é acidentalmente enviado para 1855, onde não consegue voltar para casa, a não ser que Marty o vá buscar.
A plenitude de imaginação de Back to the Future é espantosa, e o leque de possibilidades irreais que se abre à nossa frente é no mínimo fantástico. Mas o segredo não está aí, pois a ideia da máquina do tempo é antiga e bem sucedida. O que Back to the Future fez foi adaptar essa ideia aos nossos dias, aos problemas reais do quotidiano, acrescentar-lhe uma grande dose de humor e aventura, lançar Michael J. Fox para o estrelato e colocar-se definitivamente como um marco intemporal em qualquer prateleira de cinéfilo.

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4. Indiana Jones
Do homem ao mito, Indiana Jones é fruto do génio de dois homens que nasceram para criar histórias marcantes. Desde a irrepreensível realização de Spielberg até aos míticos guiões de George Lucas, esta trilogia nasceu para ser imortalizada. Talvez não seja a mais densa das histórias, talvez não tenha os mais fantásticos efeitos especiais, mas tem uma alma do tamanho do mundo, e isso é algo que se perpetua na memória de todos os que realmente amam cinema. Mas caso prefiram uma explicação mais simples, tem Harrison Ford.
Durante os 3 filmes, passados entre as décadas de 30 e 40, o Dr. Indiana Jones, famoso arqueólogo e historiador, depara-se com situações onde os seus conhecimentos se intersectam com o descobrimento do oculto e do místico, pondo a prova toda a sua coragem e atitude, lógica e humor. Desde a procura da Arca Perdida, onde crê estarem os 10 mandamentos, passando pela recuperação de poderosas gemas milenares, até salvar o seu pai das mãos dos Nazi que procuravam o Santo Graal, Indy vai amadurecendo e criando uma imagem quase imortal. Viajando da Índia ao Nepal, passando pelo Cairo, Indy percorre o mundo e deixa-nos imagens que são impossíveis de apagar, como aquela caminhada às cegas sobre um precípicio minutos antes de alcançar o Cálice de Cristo.
Pelo humor, pela acção, pelo lado fantástico, pelo lado real, por ter Harrison Ford, por acabar uma trilogia com Sean Connery a fazer de seu pai, pela inesquecível música do genérico, pelo chicote e pelo chapéu, Indiana Jones nunca morrerá nem deixará por mãos alheias o seu espaço de destaque onde que que se contem trilogias.

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3.Star Wars
Já se disse tudo de Star Wars, mas fica sempre algo por dizer. Da mesma forma que já se disse tudo sobre o génio de George Lucas, sobre a espantosa história que ele criou, sobre as diferentes formas de vida, culturas, personagens. E depois, há ainda os incipientes avanços na tecnologia de efeitos especiais que veio revolucionar a histrória do cinema. E há a Força. E é por isso que Star Wars é provavelmente a maior saga de culto que existe e que vai existir.
A história começa literalmente "a meio", há muito tempo atrás, numa galáxia distante, onde um destemido grupo de rebeldes, liderado pela carismática Leia (Carrie Fisher), resiste heroicamente às forças Imperiais que querem dominar a galáxia. Paralelamente, um jovem chamado Luke Skywalker (Mark Hamill) vai descobrindo o seu caminho e as suas raízes, acompanhado pelo velho Ben Kenobi, um antigo mestre Jedi. E quando as forças rebeldes começam a ser empurradas e Leia capturada, Luke vai ter que procurar ajuda junto de um contrabandista sarcástico que dá pelo nome de Han Solo (Ford) e do seu companheiro Wookie, Chewbacca. Depois de salvarem a princesa e de se juntarem aos rebeldes, Solo e Skywalker vão revelar-se peças essenciais na luta contra o Império, mas a missão de Skywalker vai mais longe. Ele está fadado para ser aquele que vai finalmente acabar com o poder dos Sith, aqueles que utilizam o lado negro da Força. As batalhas contra Vader aumentam de intensidade depois do jovem Skywalker aprender com Yoda sobre o poder da Força, como temê-la e controla-la. A batalha final entre o Império e os rebeldes aproxima-se. A batalha final entre Luke e Vader é iminente e plena de revelações que explicam toda a história, num desfecho que se tornou famoso.
Star Wars é um marco na história do cinema e da imaginação, deixando para gerações e gerações imagens e expressões que nunca cairão no esquecimento... And may the Force be with you.

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2.The Godfather
Se toda uma geração pudesse ser reduzida a um filme, esse seria The Godfather. Criado por Francis Ford Coppola, o mais genial de todos os movie-brats, The Godfather tornou-se num dos maiores filmes de culto da história do cinema, dando origem a duas sequelas também elas de altissimo nível. Aliás, The Godfather II tornou-se na única sequela de um filme oscarizado pela Academia (o primeiro filme tinha vencido dois óscares em 1972) a repetir o triunfo, em 1972.
O filme, inspirado num argumento de Mário Puzzo, conta a história da família Corleonne, uma das mais importantes famílias da Máfia de Nova Iorque. O primeiro filme apresenta-nos ao mundo do crime nova-iorquino, onde o veterano Vitto (soberbo desempenho de Marlon Brando, uma das maiores composições da história do cinema), patriarca da família, e os seus filhos. Sonny, o mais velho e impetuoso. Fredo, em quem ninguém confia. Tom, o jovem adoptado que é também o cérebro. E Michael, o inocente benjamin, que se revelará o mais duro dos homens do crime. Entre as peripécias da família nos três filmes- num período que percorre trinta anos - acompanhamos a personagem de Michael (inesquecivel Al Pacino) e a forma como a tragédia familiar o atinge, de tal forma que perde tudo o que realmente quis. Com diálogos marcantes, música inesquecível de Carmine Coppola e um elenco de fazer inveja a qualquer trilogia (Brando, Pacino, Duvall, Caan, Keaton, Shire, Sofia Coppola, Garcia, de Niro), The Godfather é a trilogia mais marcante das últimas gerações. E até ao surgimento de Lord of the Rings, a mais amada história cinematográfica contada em três capítulos.

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1.Lord of the Rings
Deus criou o seu mundo, e Tolkien criou o seu. Depois veio Peter Jackson e fez magia, e todos nós quisemos um buraco de Hobbit na Terra Média.
O Senhor dos Aneis é uma história no meio da História daquele mundo. Há muitos anos atrás, os aneis do poder foram criados e distribuídos pelas raças que habitam a Terra Média. Mas um deles, forjado em segredo, acabou nas mãos de Sauron, e esse anel foi feito para todos governar. Com a queda de Sauron, o anel perdeu-se...até acabar nas mãos de um Hobbit, Frodo Baggins (Elijah Wood), que juntamente com mais 3 fantásticos Hobbits(Sean Astin é Sam, Billy Boyd é Pippin, Dominic Monaghan é Merry), um anão de nome Gimli (Rhys-Davies), um elfo de nome Legolas (Bloom), dois humanos, Boromir (Astin) e Aragorn (Mortensen) e um feiticeiro chamado Gandalf (McKellen) vão constituir a Irmandade do Anel, cujo objectivo é destruir este instrumento do mal. Mas inevitavelmente a Irmandade desfaz-se, e durante os três filmes somos presenteados com o mosaico dos diferentes grupos, das suas batalhas e perdas, desenvolvendo uma relação de proximidade com cada personagem que só é possível pelo trabalho e dedicação que estes actores fantásticos debitaram no seu alter-ego, pela forma como os guionistas adaptaram a história, pela forma como Jackson é minucioso nos detalhes. Depois de vermos Minas Tirith é impossível não acreditar que a Cidade Branca é real, e que aquela batalha nos campos de Pellennor se travou mesmo. Porque tudo isso aconteceu, há muito tempo atrás, algures num local desconhecido, e nós tivemos o previlégio de ver tudo na primeira fila. Ou queremos acreditar que sim. Senhor dos Aneis é magia, e parece que a Academia também gostou da magia, premiando o Regresso do Rei com 11 Óscares. Nós agradecemos, e só temos pena que algum dia tivesse tido que acabar...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:22 AM | Comentários (14)

março 11, 2006

Top of the Tops...Thrillers dos Anos 90

Os Anos 90 foram pródigos em grandes produções que rapidamente se imortalizaram por aquilo que são e pelo que provocam no espectador. Qualquer um destes filmes é um filme de culto, com fãs que resistem ao tempo e com um lugar de destaque na história do cinema.
Intensidade e suspense, acção e twists inesperados, personagens marcantes e imagens que se perpetuam na memória...Tudo isto, e muito da nossa subjectividade é o que define o thriller perfeito.
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5. Mission Impossible
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Baseada na série de TV dos anos 60/70, este filme apropria-se do espírito de equipa de um grupo de agentes de CIA que opera indiscriminadamente sob ordens governamentais, conseguindo atingir os seus objectivos de forma brilhante. Mas todas as parecenças com um filme de acção acabam aqui. Tom Cruise é o líder deste grupo de operações especiais, que conhecemos numa missão de natureza regular na cidade de Praga, mas que corre inexplicavelmente mal, e da qual Cruise é o único sobrevivente. Rapidamente se apercebe que algum agente infiltrado na CIA está a sabotar estas missões e o usou como bode expiatório. Deixado de fora das actividades da agência e sem ninguém que acredite nele, Cruise tem de encontrar a toupeira, perceber os seus objectivos e limpar o seu nome e o seu futuro.
Para isso, reúne uma equipa de espionagem junto dos seus contactos fora da agencia, e a partir daqui partimos para um thriller de suspense inesperado num filme deste tipo, onde a única saída é uma furtiva entrada no edifício da CIA, que nos levará a um labirinto de situações e revelações num timing de cortar a respiração.

4.Goodfellas
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É grande, é longo, é forte, é violento, é sarcástico e é deprimente. Claramente, não é para todos. Goodfellas conta a história da ascensão e queda de um senhor gangster, pelas palavras de dois narradores, que vão acompanhando de forma coloquial a sua vida por entre todos os episódios negros e impressionantes que são o pão nosso de cada dia para a família da mafia.
Uma acção sem falhas, um argumento brilhante, mas acima de tudo, um leque de actuações que nos levam a perguntar se aqueles actores alguma vez foram alguma coisa que não mafiosos. Joe Pesci é outro homem. A sua actuação como Tommy De Vito, violento, insensível, cáustico, é de tal forma credível que é impossível não ter uma atracção doentia pela sua personagem. Liotta tem também um desempenho marcante, e De Niro é o patrão subtil, poderoso e, apesar de não aparecer em cena tanto tempo quanto gostaríamos de vê-lo, cada vez que surge impõe respeito.
Scorcese desde aí tem reclamado o seu lugar nos rankings da Academia, mas a verdade é que depois de Goodfellas não lhe ter dado um Óscar parece improvável que algo que ainda possa fazer alguma vez venha a dar.

3.Se7en
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Desde realização, interpretações, imagens, e música, Seven é um filme que não nos abandona facilmente depois de o vermos. Tem aquele desfecho que, podendo não ser totalmente inesperado, é inesperadamente brilhante, fruto dos mind games a que nos vemos expostos durante perto de duas horas.
Brad Pitt e Morgan Freeman fazem uma dupla brilhante, no clássico conflito antagónico entre o novo e o velho, o optimista e o pessimista, o crente e o descrente. Ambos são detectives, e a sua mais recente missão é resolver a charada de estranhos crimes, aparentemente sem um móbil definido, que vão assombrando Nova Iorque. Quando se apercebem, andam à caça de um homem que reclamou para si a punição dos 7 pecados mortais. A forma com entramos nas suas vidas e nos seus sentimentos é difícil de encontrar, mesmo nos melhores thrillers que alguma vez foram feitos.
Há violência, sim, mas nunca directamente. Ao espectador, é apenas dado o momento final, a morte consumada. Mas essa imagem fala por si. Cada pecador proporciona uma atmosfera tão perturbadora que não conseguimos esquecer nenhum dos sete pecados por muito tempo, depois de nos desligarmos do ecrã.
A realização de David Fincher fala por si própria: não há no filme um momento de relaxamento, de pausa. A camera está em constante movimento, emprestando ao espectador a ilusão de que está sempre na sala onde os personagens estão. Mesmo nas cenas mais calmas, ele encontra forma de demonstrar que as vidas de Pitt e Morgan estão em desassossego, seja por causa do comboio que passa e abana a casa do jovem recém casado ou por todos os momentos de pausa do veterano serem acompanhados de uma chuva intensa.
Do criminoso, não se poderia esperar melhor interpretação em tão pouco tempo que está em cena. Spacey é fenomenal, exala uma loucura inocente dos seus olhos e apresenta-se com um sorriso de redenção... Marcante.

2.Pulp Fiction
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Controverso. Duro. Violento. Surreal. Tarantino.
Este filme cria a sua imagem como um senhor do cinema de suspense fantástico, e praticamente transforma o seu nome num adjectivo. Os seus planos de cinema surreal, as movimentações improváveis da camera, as ideias geniais de perpetuar o suspense para além dos poucos segundos que dura um cena e nos deixa a pensar nela até o momento em que a história volta para lá...E depois, o guião, todo ele. A Los Angeles dos nossos dias é o palco das personagens mais improváveis e das mais comuns, mas que entram numa espiral de acontecimentos e episódios em que é difícil acreditar, numa cela escura cheia de violência gratuita e num tiroteio rápido com twists inimagináveis... Mas será que a inovadora realização e escrita de Quentin capaz de lançar Pulp Fiction para a prateleira dos filmes de culto por si só?
É difícil responder, porque os pontos fortes desta história não ficam por aqui. As interpretações de John Travolta, Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Harvey Keitel e Cristopher Walken juntam-se de uma forma sobrenatural, parecendo que este leque de actores nasceu para estar junto neste filme. A história, em formato de cinema mosaico, é composta por três intrigas que por si só dariam um filme, mas que depois de as vermos interligadas em Pulp Fiction não mais as poderíamos ver de outra maneira. Willis é um boxeur corrupto às voltas com um lampejo de honestidade e dúvidas sobre a sua vida, Travolta um assassino contratado, mas com a traiçoeira missão de ter que passar uns dias a tomar conta da mulher do seu implacável e irascível patrão. Keitel é o tipo que resolve os problemas dos outros, e é ele quem vai atar as pontas soltas duma história montada em analepses e prolepses, flashbacks estranhos e uma organização que por vezes nos faz pensar se não teremos perdido nada de uma forma inexplicável.
Mas não é o que acontece, já que à medida que caminhamos para o final o nevoeiro dissipa-se, a ordem sem sentido afinal era a mais lógica possível. E depois a violência gratuita que parece ser uma constante, mas que é aligeirada de forma fenomenal por um humor negro e precioso que se encaixa na perfeição em cada momento. Pulp Fiction marca uma viragem na história dos thrillers, na forma de abordagem do suspense e de mexer com as emoções do espectador mais impassível

1.LA Confidential
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O que é que falta a LA Confidential? Poderia ser uma pergunta complicada, mas a verdade é que o filme responde por si: nada. Não falta nada, e com isso vem o duro fardo de que provavelmente nunca mais veremos um thriller como este.
Polícias corruptos, alianças secretas, traições, amor, jogo duplo, morte, caos. Esta Hollywood dos anos 50 é palco de uma história de histórias, de personagens que se completam mas que se aguentam sozinhas, de intrigas secundárias de grande qualidade, onde Kim Besinger e Danny DeVito ganham o seu espaço, de twists completamente geniais e de lutas pelo poder duma forma subtil como se vê em poucos filmes.
A acção principal mantém-se a si mesma graças a três interpretações geniais, correspondentes a três personagens não menos bem conseguidas. Russel Crowe é o bad cop, o que faz os interrogatórios sem piedade, o que parte para a violência porque foi assim que cresceu e que sobreviveu. Como tal, a sua honestidade e ingenuidade fazem crescer o nosso apreço por tal personagem, que naturalmente é aquela que quando se apercebe que está metida em algo muito maior que ele fica meio perdida, mas consegue fazer as escolhas certas. Spacey é o polícia que sabe o que faz, e sabe como fazê-lo: o sistema tem falhas, a corrupção sai impune, o dinheiro e a fama são melhores do que o trabalho duro. A vida corre-lhe bem, e entrar em causas justas e certas é algo que não está nas suas prioridades. Mas os seus esquemas ardilosos já o haviam posto lá dentro sem ele dar por isso, e agora é tarde para sair. O último deste três homens é Guy Pearce, o polícia exemplo, aquele que quer deitar abaixo tudo e todos os corruptos do sistema e subir graças ao seu mérito próprio e justiça para os escalões mais elevados. Mas LA é muito grande para um homem só, e apesar das suas investigações estarem sempre no caminho certo, falta-lhe sempre uma peça para completar o puzzle. São estes três homens, tão diferentes entre si, mas tão iguais à sua cidade que vão conseguir escapar e desmontar a teia de corrupção e mentiras que mina todos os sistemas e esquinas da cidade onde vivem. São mais de duas horas e meia que passam a correr, porque não há um momento em que não se respire novidade, mais pistas, mais luz, mas ainda assim um suspense mantido de forma formidável até ao final, quando a verdade se abate sobre nós de forma chocante e inacreditável, mas ainda assim tão plausível de acontecer...

Por problemas técnicos com o servidor não nos foi possivel publicar esta rúbrica, como estava previsto, ontem. Por isso pedimos desculpa!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:14 PM | Comentários (12)